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Modernidade

sexta-feira, 1 de julho de 2005

No Correio de Cabedelo (cidade litorânea da Paraíba) há um programa chamado SARA, ao meu ver, altamente estressante. Uma tarefa simples de pagar uma conta, que se fazia rapidamente, agora leva três vezes mais tempo. O SARA pede confirmação de tudo, faz repetidas e repetidas repetidas perguntas perguntas ao caixa, o tempo PÁRA. Certamente (?), as intenções de quem elaborou o software foram as melhores possíveis, mas não se pensou no que tanto irrita as filas do Brasil: a demora para ser atendido, e o tédio que resulta da espera. As filas, claro, são compostas por serem humanos, alguns estudam, outros trabalham, outros têm tanta coisa pra fazer, ou aproveitaram um tempinho livre para resolver questões financeiras. É péssimo pensar, idealizar um tempo livre, gasto no ócio, na diversão e vê-lo evaporar-se com algo não desejado. Outro dia na Qualitech (uma loja de informática de João Pessoa/PB), deparei-me com um programa para compra financiada com cartão de crédito. O que, normalmente, levaria uns dois minutos, no máximo, levou mais de duas horas. O programa não respondia, a rede ao qual tentava conectar-se não funcionava, o computador parava de responder. Questionei a irritante demora. Irritei-me ainda mais por saber que era um programa obrigatório para as lojas de João Pessoa. Fico pensando nestes programadores, se eles levam em conta a praticidade, a rapidez, o conforto dos contribuintes, das pessoas que usarão o programa e das que terão suas vidas marcadas bem ou mal por estes programas? Como conceituadas empresas e instituições podem trazer tanto embaraço por conta de softwares mal-resolvidos, mal-elaborados, disfuncionais, anti-sociais? Eu querendo mergulhar no fascinante mundo digital e provando amargos frutos da modernidade.

Quero ser um menino de verdade

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Quando terminei de assistir Ai, Inteligência Artificial (de Steven Spielberg), fui pro meu quarto e chorei copiosamente por mais de uma hora. Muita coisa foi tocada no meu íntimo, coisas que doem, outras que alegram, coisas que escondo, coisas que sonho...coisas que revelo, coisas que idealizo, coisas das quais tenho medo...coisas que nunca refleti, mas estavam! estão no meu coração, exigindo explicação, atenção, fazendo perguntas ou mesmo dando respostas que eu não quero conhecer, ou determinei que não aceitaria. Entre as muitas reflexões que fiz, uma me inquieta e nunca termina em uma conclusão final (quando me atrevo a investigar meu coração): a de ser aceito como um menino de verdade. Eu já li um pouco a respeito desta necessidade de aceitação do indivíduo, e reconheço que não tenho preparo suficiente pra margear, muito menos me aprofundar nisto. O que tenho por certo é que aceitação e rejeição marcam bem os relacionamentos, ainda que sejam profissionais, mecânicos, movidos por inevitável necessidade. Quando alguém ama a outro pode se achar no direito de exigir dele uma atenção especial e espera ser atendido em suas expectativas, as quais, muitas vezes, podem ser ilusórias, diáfanas, que não têm existência real, concreta, o que pode resultar em uma tremenda decepção. O preenchimento prazeroso de alguém em nosso coração, pode ficar, neste caso, com um vazio enorme e uma mágoa pelo tempo perdido por se crer em algo que nunca existiu. Por outro lado, alguém também pode querer ser o que nunca foi, ter uma qualidade que ele pode até abominar, e pode chegar até a compartilhar idéias e gostos com as quais, de modo algum, se identifica, tudo isto apenas para ser aceito. E, mesmo assim, poder sofrer uma rejeição, ou um tipo de aceitação que ele não esperava, não queria: por exemplo, esperando que o outro se apaixonasse, plantou uma grande amizade, e ao invés do sonhado beijo, recebeu um forte abraço. Pode ocorrer isto, creio, até mutuamente, ambos sendo o que não são para serem aceitos, para serem amados. A interpretação teatral pode convencer de modo limitado, porém por dentro...podemos nos enganar, mas conscientes de que estamos nos enganando, mentindo pra nós mesmos. Bem, eu vivi muitos momentos assim, querendo ser um menino de verdade, em outros termos, esperando modificar meu status social, minha voz, meu andar, sendo menos inteligente do que sou, ou tão burro quanto, ou ainda um gênio, para ser aceito. Para cada pessoa interpretava algo, esperando não ser rejeitado. Entretanto, acordei a tempo. Se amo as pessoas como elas são, não poderia esperar uma reciprocidade? Se tenho de abrir mão de algo, de falar o que quero por respeitar a fraqueza momentânea de alguém, não poderia esperar isto de outro? E se também abomino as atitudes de alguém, o jeito de ser, pensar, sentir, viver de alguém, por que eu o incomodaria? Por que o traria para o meu lado? Por que esconderia o que não gosto? Recentemente, perdi um amigo por ter-lhe dito que certos tipos de comentários que ele fazia não me agradavam e estavam me entristecendo. Ele pediu desculpas, mas afastou-se, não tivemos mais diálogo. Por que? Porque boa parte do seu repertório de palavras era para criticar negativamente alguém. Ele constantemente agia como um juiz supremo dos pobres e falíveis seres humanos. Cortado isto, seu verbo se esgotou. Até que ponto ele foi meu amigo? Eu mesmo não me acho no direito de ser juiz de ninguém. Certamente, quando se usa de sinceridade, deve-se fazê-lo com muito critério, até com uma certa dose de misericórdia. Não obstante isto, sinceridade é fundamental para os relacionamentos se solidificarem. A correção é como um fogo que queima a mão e aprendemos a temer as queimaduras. É bom quando somos nós mesmos de verdade, mesmo que você negue a si mesmo, mas dizendo: eu me nego a mim mesmo. A quem, afinal, devemos tantas explicações?

Créu, um papagaio

Minha irmã estava muito triste em casa e chorava inconsolavelmente. Ela estava passando por um período prolongado de muitas dificuldades, em que a vida se tornou um enorme NÃO aos seus sonhos, ideais, trabalho, etc. (a tristeza só quer uma desculpa para se multiplicar e destruir como uma bactéria necrosante). Em sua casa estava apenas o Manezinho, seu papagaio, de dez anos de idade. Ela começou a soluçar sem parar e nada poderia traduzir sua tristeza. Seu marido estava no trabalho, seu filho na escola. Ela nunca havia se relacionado bem com Manezinho, ele nunca foi carinhoso ou mesmo correspondia às habituais brincadeiras que se tiram com um papagaio, por exemplo, cantar pra ele imitar. Nesse dia, Manezinho lhe ouviu chorar e desceu da sua gaiola, bem acima do chão, agarrando-se a um portão de ferro, daí caminhou até a cadeira na qual ela estava sentada. Ele conseguiu (não sei como) subir até ficar em seu ombro e com o bico carinhosamente parecia querer consolá-la, passando-o sobre seus cabelos e parecendo beijá-la. Ele nunca foi carinhoso com ela. Nesse dia, ficou comovido, emocionalmente envolvido.
Às vezes, um carinho vem de onde não imaginamos, de quem parecemos não poder esperar.
Até de um animal!

Vamos escolher o paraibano do século

quarta-feira, 27 de abril de 2005

And the Oscar goes to...
Augusto dos Anjos (www.funesc.pb.gov.br/art_person_anjos1.shtml).
Que disseram dos professores que, durante anos, trabalharam mais por amor que por dinheiro? Dos policiais, taxados de abusivos, vendidos, infiéis e corruptos? Que disseram dos milhares que morreram de fome e sede? Nenhum deles tem um "EU" que fala tanto quanto Augusto. Por que este foi o ídolo dos estudantes? Por que não o padre "X", o pastor "H", a prostituta "K", o barbeiro "F", o cachorro "B", o burro de dona "S"? Quem era neste espaço geográfico tão conhecido? Quem publicaria a obra de cada cidadão comum? Dos médicos que, mesmo sendo taxados de compradores de diploma, chatos, interesseiros, ajudaram tantas vidas a sorrirem novamente? Ser mãe de família, pai de família não credenciaria ninguém? E as mãos que, com muito suor e baixos salários, levantaram altares, templos, museus, edifícios, escolas, etc? Nenhuma referência? Qual é o século dos séculos? Qual é a pergunta das perguntas? Qual a Paraíba do século? Os marginais jamais entrariam? Políticos, sim, entrariam! Mas, a poesia que penetra tão fundo, pelo menos, mostra que os corações ainda têm seus temperos, sua dominação. Como a linguagem parece cativar mais que as obras, mesmo que espinhenta, amedrontadora, cientificizante.
Mas, a Paraíba, nenhum país, região, instituição, empresa, família se faz individualmente. Há todo um trabalho conjunto, como os dedos de uma mão, como uma imensa ponte que necessita de cada pequeno parafuso. Assim, como nós também precisamos dos nossos inimigos para melhorarmos, a sociedade também precisou dos vilões e problemas para se aperfeiçoar.
And the Life goes to... everyone!

Carro de lixo

terça-feira, 26 de abril de 2005

Carro de lixo... Lembro-me que cheguei à igreja com pensamentos tão distantes da paz! Em conflitos, relambia as migalhas, os dejetos, os rancores, as mágoas por coisas que aconteceram comigo. Estava no meu eu. A pregação naquela noite foi sobre abandonar tudo isto: toda mágoa, ira, contenda. Entendi a cobrança de Deus! Eu estava me torturando, realimentando coisas por Ele classificadas naquela tarde como lixo. Sim. Sim. Muito lixo! O passado estava vivo através de dores, de tudo me lamentava. Queixava-me dos perdões que não foram pedidos a mim: Lixo. Dos erros que me perturbaram e a simples lembrança e falta de respostas continuava me perturbando: Lixo! Quanto lixo acumulado em tantos anos. Mas, Deus garantiu que um carro de lixo estava ali, onde o eu de cada um presente poderia jogar toda dor, mágoa, erro, perturbação, má lembrança, ira, inveja, murmuração. Que garantia maravilhosa. Eu acreditei neste carro de lixo, neste poder que só o Deus único, verdadeiro, justo, supremo e glorioso tem de estabelecer sua vontade, de decidir, de fazer o que ninguém pode. Aquele que não muda, que não precisa se explicar, que contraria toda lógica, que intriga toda humanidade, que muda a História. Estou pedindo este carro de lixo todo instante para jogar todo mal que o mundo e até eu mesmo provoco ou recebo em minha alma.
Lança o teu pão sobre as águas, depois de muitos dias acharás. Jesus cura dor, cura coração desolado, cura AIDS, solidão, depravação, mexericos, espírito de contenda, timidez, depressão, Jesus salva, liberta, renova. Então, aproveite enquanto Ele ainda está com os ouvidos abertos, aproveite enquanto Ele está perto. Grandioso Ele é em perdoar. Joga teu pão nas águas da oração, depois de muitos dias acharás a resposta.
Na presença do Senhor até a tristeza salta de alegria!

NORMOFILIA

sábado, 23 de abril de 2005

Normofilia.
Acredito! ?Até o normal tem limites!? Quem decide o que é normal? Qual o referencial da normalidade? Por que o rosa é feminino? Por que as notas cítricas e amadeiradas são masculinas? Por que as notas doces, florais são femininas? As mulheres são doces, são todas como flores? Os homens são todos toscos como as madeiras? Ou azedos como os limões?
Parafilias. Eu poderia me excitar com a não-excitação? Posso ter orgasmo ao estar morto? Posso encontrar minha maior satisfação em não-existir? Que loucura! Ou melhor (?) Que normalidade! Que anormalidade! Para quem? Só um responsável estudo científico, feito por pessoas habilitadas e bem-experimentadas para sistematizar esta avassaladora onda de comportamentos sexuais que pululam em todo o mundo.
Eu quis brincar, mas o negócio é seríssimo! Imagino, repentinamente, pessoas que têm prazer em ver formigas comendo baratas. Ou que sentem orgasmo ao ler cartazes de filmes brasileiros dos anos 70, com a maioria dos atores pouco conhecidos e de cor negra. Imagino que haveria uma tecnicidade progressiva dos tipos de parafilia. Sobre parafilias é possível ler o artigo:
http://www.psiqweb.med.br/dsm/sexual4.html#parafilias
Não quero definir parafilias. Nem os tipos. Mas, transmitir meu espanto, ao ver que a homossexualidade que ainda causa tanta estranheza pode parecer fichinha diante de práticas sexuais (ou seja lá que nome dêem) ainda por serem desvendadas. O próprio conceito de normalidade parece não dar conta de si mesmo.
O fucking machine (prática de ser penetrado por uma máquina em forma de pênis) já virou coisa do passado.
A pedofilia que assusta quantitativa e qualitativamente a sociedade humana atual, parece ser uma prática por se normalizar. É possível identificar nos menores uma possível luta pelo direito de emancipação sexual, ou até de exibição sexual. As coisas que acontecem na sociedade estão tão estranhas, há pessoas que asseguram ter sido assediadas por crianças.
Garotos e garotas de 12, 13, 14 anos se prostituem, se matam, matam, morrem de fome, sede, se drogam, fumam, se masturbam, têm acesso a conteúdo erótico, pornográfico e parafílico. São atores, vítimas e operários da indústria do "prazer" doentio e massificado.
De 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 01, 02, 03, 04. De zero anos ou ainda como embriões. Nem no ventre escapam! Claro! Há crianças que matam, há as que já sabem o que querem, assim como há adultos que raciocinam menos do que uma anta, e nunca sabem o que querem, aliás, nem desejo possuem.
Ainda bem que acredito na transformação. Milagrosa, total, trabalhosa, cansativa, mas creio na transformação. E gostaria que a transformação para melhor, para a paz, para a ausência de distúrbios, de angústias, de perversões, de maldades e malignidades começasse desde agora.
Tenho medo de que não me compreendam. Jesus foi à cruz por incompreensão. Nossa inteligência, nosso poder de conhecimento chega a ser cômico diante da grandeza de Deus, mas o melhor de tudo é que somos parte desta grandeza, ainda que parecendo ou estando em condições miseráveis, atormentados pela fatalidade da morte e por doenças, ameaçados por tantos descaminhos. Em Jesus existe luz. Com o poder desta luz todo mal é desfeito!

O BACURAU

Bacurau... Nunca vi nenhum. Pesquisei o termo na Internet e em dicionários. Trata-se de uma ave noturna que caça à noite e come insetos até o dia amanhecer. Minha mãe foi quem primeiro me falou sobre este animal. Na sua incomum infância (tomando a minha como referencial, se é que a minha foi normal, já nem sei o que é normal- depois eu explico), ela se defrontou com diversos seres bem marcantes, como ocorreu com o Pequeno Príncipe; um deles foi o bacurau. Por quê? Segundo ela conta, havia chegado a noite e ela foi dormir. Quando estava deitada sobre a rede, insurgiu um macabro "amanhã eu vou". Só ouvindo para compreender a estranheza. Parecia alguém, e mais alguéns, e mais alguéns, repetindo "A-manhã, eu vooou! Amanhã eu vou!" Um coral de gritos distantes e guturais "Amanhã eu vou!". Eram os bacuraus. Assim, ela notou que tenho o brasileiríssimo hábito de dizer "amanhã eu vou", contudo, esse amanhã nunca chega! Ou tarda tremendamente! Eu mesmo não entendo porque deixo tudo para amanhã: um demorado amanhã. Sou um bacurau! Amanhã vou pedir perdão, amanhã vou perguntar o que estou querendo ou precisando saber, amanhã vou resolver um antigo problema, amanhã vou, amanhã eu vou! A manhã voou. O dia voou. Amanhã vou cumprir uma palavra dada, vou atualizar minha vida, vou limpar meu quarto, vou pagar um débito. Fica sempre o canto do bacurau:" Amanhã eu vou!". Amanhã!!!!!

Bússola do coração

domingo, 17 de abril de 2005

Novamente, estou aqui. Eu mesmo me afasto do meu eu, dos meus propósitos, do que começo, do que planejo. De repente, aqui, eu tenha mais privacidade do que em um livro, um diário. De repente, aqui eu não perca meus pensamentos em algum buraco negro da memória, da história. Neste instante sou um barco a ir no impulso das ondas do meu coração. Não quero ir pra lugar nenhum. O que há de tão desconhecido e misterioso no ser humano? no mundo? no ocidente ou oriente? em mim? O que há mais perfeito do que minha imperfeição? O que há de tão inquebrável quanto minha falibilidade?
De repente não quero ser eu, não lembro que sou eu. Não tenho memória ou história. Sou um passageiro com medo do itinerário da verdade e da mentira. E, mesmo assim, sigo adiante. A terra é redonda, o céu é para cima, onde começa o em cima? Onde termina o embaixo? Onde está o acima, se a terra gira e não se sabe qual é o quilômetro zero desta esfera?? As águas estão calmas, mas norte, sul, leste, oeste, são todos iguais nesta louca bússola: coração. Sou muito realista, por isto vivo sonhando.

Memória de funil! Memória de penico

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Hoje, foi legal ouvir o que minha irmã disse sobre memória: memória de funil, porque tudo o que entrava, saia do mesmo jeito. Depois, disse que quando não era assim, tinha memória de penico... Isto é, só lembrava m___a. Não pude conter a risada.
O humor: com algo novo, um elemento surpresa e superação da própria figura, em que interpretante, intérprete e coisa interpretada se encontram em um instante completamente inesperado.
Memória de penico. Sei o que é isso. Há estudantes que não conseguem decorar uma simples expressão de quatro palavras em biologia, geografia. Ou sequer uma resposta de uma só palavra. Mas, se lerem um livro de piadas ou revista pornô, lembrarão com riquezas de detalhes.
A memória de penico também pode ser entendida como a capacidade natural das pessoas só lembrarem as coisas ruins, os acontecimentos desastrosos, os males provocados por alguém, sem levar em conta o bem, os acertos.
Memória de funil. Memória de penico!

Pensando sobre o agora

sábado, 9 de abril de 2005

Não queria passar por este mundo como alguém que fez os outros chorarem de tristeza. Já fiz, que eu me lembre, umas sete pessoas chorarem, fora os que eu não sei. Fora os que eu já magoei injustamente, sem saber. E quem mais me fez chorar em toda minha vida fui eu mesmo. Por ter sido injusto até com alguns animais domésticos. Porque não fui perfeito o quanto eu esperava, por ter superado minha falibilidade, pelos muitos sonhos que voaram, pelos castelos que caíram. Por ter sido crítico demais, por me ver tantas vezes armado com a razão na mão e ter sido calculista, esperando o momento de me vingar das falhas alheias. Sei que dei alegrias. Ri juntamente, alto e forte. Chorei às ocultas. Poucos viram o quanto me doeram certas atitudes, ríspidas palavras, situações quase mortais, pré-fabricadas em mentes, no mínimo, insanas. A maldade é a pior loucura do ser humano. Erros, falhas são perdoáveis; maldade...perdoa-se, esquecer é outra história. A tolerância, o amar são de passo em passo. Eu quero caminhar além. Quero, preciso me divertir. Danem-se a maldade, a inveja, a intolerância, a insensibilidade, a inimizade; as pessoas não, eu não.

PALHAÇOS

Ouço músicas maravilhosas e...nenhum alívio. Abro a geladeira e nenhum alívio. Televisão, internet, jornal, nada. Sou o único palhaço em casa, no momento, minha platéia sou eu.
Minha mãe eu eu somos grandes palhaços, até a brabeza dela me anima, porque me lembra que não estou num cemitério. O cemitério, sim, é para os mortos. É preciso fazer algum barulho. Mas, ela saiu. E há tanta coisa que não podemos compartilhar. Uma coisa não me deixa dúvidas: ela me ama. Isto (o amar) não se aprende na escola. Poderia até ser. Bem, comigo não foi assim. Seu nível de escolaridade, do qual ela constantemente se lamenta, é muito precário, já em seu caráter procura ser leal e verdadeira. Tudo o que ela diz é real, ainda que com falhas. Às vezes, ela fala coisas horríveis quando está perturbada, e sei que ela já está arrependida. É melhor não dizer nível: formação educacional, ampliação das armas de pensamento, reflexão. Eu a acho um gênio. Ela tem lutado até hoje e isto me serve de exemplo. Nunca teve nojo das minhas fezes e, até aqui, se for necessário, ela limparia meu vômito, fezes, ceras, suores, só não limpa meu caráter, porque convém a mim escolher minhas ações e caminhos.Sempre temos a chance de escolher, ainda que as alternativas não sejam as mais desejáveis. A vida nos leva por caminhos tão estranhos, quando achamos que estamos no controle, as tsunamis derrubam tudo. Quando estamos nos sentindo perdidos, os dinossauros da fé aparecem. E aí, uma escolha ainda pode ser feita: acreditar contra todas as impossibilidades. Neste caso, a fé é necessariamente cega. Difícil é estar sem condição alguma de escolha, como é o caso da inevitabilidade da morte, a inevitabilidade dos condicionantes naturais da existência humana, ou, em casos extremos, quando alguém escolhe por nós (movido por amor ou vil injustiça), quando alguém se acha enclausurado em um estado de coma total e, então, se fala em eutanásia. Diga a um gato para ele ser cachorro. Tente amestrá-lo deste modo. Ensine uma formiga a ser uma vaca, e uma vaca a ser abelha. Ora, quem ensina sabe o que É SER uma formiga, uma vaca ou mesmo uma abelha? Sabe o que É NÃO SER uma formiga, uma vaca ou mesmo uma abelha? Esta coma total, creio, não se realiza apenas fisicamente. A inoperância das virtudes do coração, a falta ou desprezo pelo aperfeiçoamento espiritual, enfim, enclausuram muitas pessoas numa coma espiritual ainda mais tenebrosa. É possível que já estejam mortos e nem tenham noção.
Eu vou acordar. Vou empurrar este monte de pedras e cascalhos que caem sobre minha cabeça. Eu sempre consegui me acordar. Não vou morrer agora.

Extrema Solidão

Uma extrema solidão me trouxe novamente ao universo dos blogs. Tenho meu diário, mas só escrevo às vezes. Em nada capricho. Novamente não foi a alegria que me fez um criador, tampouco quero ser destruidor. Será que quero encontrar alguém? Que fosse, no mínimo, especial. Não sei se quero informar pra mim mesmo: o quê? Nem estou feio nem bonito. Nem leio muito, nem sou artista, não há nada especial. Alguns me acham engraçado, outros inteligente, outros me odeiam, muitos hipócritas.
Eu me sinto como um animal enjaulado, mas já sem animalidade. Queria sair da minha anormalidade e ser como uma planta realizando fotossíntese, frutificando na estação certa. Mas, mas , mas. Hoje, eu me aborreci com tudo. Eu sei que tenho amor em algum lugar do meu coração e sei que o mundo quase todo precisa. Mas, mas, mas. Sei que posso falar coisas muito bonitas, mas não quero escrever algo que está diante do que penso e sou. Amar a justiça e a verdade me consola. Talvez, por isto mesmo a sociedade me assusta tanto e eu me veja, tantas vezes, como um covarde. Uma coisa é certa, entre milhares de coisas certas, eu tentarei compreender o que escrevo. Eu estarei aqui. Quero me ver cara a cara. Talvez, eu mesmo tenha coragem de me compreender.
 

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