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Plantando amor

segunda-feira, 18 de julho de 2011


Hoje, escolhi dar, doar, cultivar amor ao invés de ficar tristinho esperando por ele.
Lembrei do meu cachorrinho, fazia dias que não tirava um tempinho pra falar com ele; vê-lo abanando o rabo, as orelhas, tentando me lamber como forma de beijar o seu "irmãozinho", uma vida (a minha) que pra ele dá tanto significado à sua própria existência.
Lembrei das paredes que tanto aquecem e me guardam de insetos, balas, que mantêm minha privacidade. Minha casa, onde moro há tanto tempo, que me enche de recordações, onde nasci, cresci, chorei, me desesperei, me escondi, onde tantas vezes me achei.
Lembrei dos primos distantes com quem tanto tempo não falo. Não vou esperar que eles me ligue, não vou achar que não gostam ou não se lembrem de mim. Amor é construído dia após dia. Talvez, eles estejam esperando que eu me aproxime também.
Tantas pessoas às vezes nem sabem o que podemos fazer por elas, em termos de palavras, troca de experiências, porque não damos a menor chance de aproximação. Achamos que só vamos encontrar espinhos e mais espinhos.
Uma palavrinha só tantas vezes me deu a força necessária pra me levantar, quando já nem queria mais me mover; tantas vezes me aqueceu o coração, derretendo icebergs imensos de desolamento, insegurança e aflição. Vou distribuir o que recebi.
Vou plantar amor onde puder, com quem der, ainda que naquele instante não veja nos olhos da pessoa com quem falei o menor crédito ou importância.
Mas, principalmente, com aqueles que me querem bem, com quem está sempre comigo, no trabalho, na escola, em casa, ou mesmo aquele que sempre vejo na vizinhança e nunca cumprimento.
Posso fazer cartões com mensagens boas e distribuir na minha própria rua. Talvez, alguém precise, talvez isso seja a última chance de alguém se levantar do mesmo modo que me levantei.
Minha mãe querida, será que passará mais um dia sem um abraço meu? Sem um beijo? Sem pôr em dias nossas conversas?
Pode ser agora o momento de vencer o cansaço, de ficar esperando um gesto de amor e plantá-lo em outros corações. Porque se sei que espero é porque tenho e porque eu também gostaria.
Quantos corações não estão esperando esse ato de mim, ou de alguém que nem conhecem na vida?
Não sei. Como vou saber? A falta de amor emudece, afasta, aprisiona, isola, nos faz perder o brilho nos olhos quando vemos mais uma pessoa nova em nossas vidas.
Há momentos em que temos que plantar o fruto, ao invés de esperar degustar o fruto já pronto e crescido de outras árvores
(Jackson Angelo, em 28/04/2011)

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