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Estou vivo (conto de Jackson Angelo)

domingo, 21 de junho de 2009


O caixão estava longe de mim. O morto estava longe e seria possível ver tudo o que havia dentro dele. Já havia iniciado sua decomposição. Seu cheiro forte já poderia ser sentido.
Mas, eu me aproximei, eu me lembrei do defunto. Eu me dirigi até o caixão e sei o que havia dentro.
Ao remexer no caixão, o morto já cheirava mal. Que poder tenho eu para ressuscitar um morto? E por que teria eu que ressuscitá-lo?
Mas, eu abri o caixão. E comecei a falar com o morto.
O morto falou-me as mesmas coisas de sempre, as mesmas mentiras, a mesma conversa que nunca tinha sentido. A mesma falta de sonhos, a mesma falta de sinceridade. Estava ainda mais morto, eternamente morto naquele mesmo abismo que projetou em sua volta e dentro de si mesmo.
Por que teria eu que sentir falta de mentiras tão conhecidas?
Por que não deixei o passado ali enterrado?
Aquela página foi virada, completamente compreendida.
Eu queria trazer flores pra ver se o mau cheiro poderia sair. Eu ainda quis conversar, sabendo que não haveria retorno, não seria um diálogo, mas um monólogo. Talvez por acreditar no impossível. Sei... tudo tem seu tempo. O tempo daquele instante, o tempo da tentativa, o tempo da colheita, da proximidade, do afastamento.
E agora tenho o meu caminho para andar e voltar a andar com as minhas pernas, ainda que cansadas.
Estou vivo! Como a mãe que suportou um longo inverno aquecendo seus filhos, sem um cobertor pra si mesma. Como um soldado que foi esquecido pela sua tropa, mas conseguiu chegar ao seu comandante e rever sua família.
Vivo! Cansado, quebrado, exausto! Meio com vontade de ficar parado, em silêncio, Esperando pacientemente pelo retorno das minhas forças. Mas vivo.
Estou vivo.
(Jackson Angelo)

Barcarola de Offenbach (video, letra, curiosidade)

Offenbach foi um compositor alemão de origem judaica, famoso por ser um paladino da opereta e um percursor do teatro musical moderno.
Dentre suas composições, a romântica Barcarola é realmente imortal. Entre os evangélicos é muito comum a adaptação "Viagem para o nosso Lar", que, mesmo em português, é muito linda e leva o coração sincero a pensar. Mas, a letra original, pelo que pesquisei, está um pouco longe dessa adaptação.
A mais famosa ária da ópera é a "barcarola" (Belle nuit, ô nuit d'amour), que é realizada no 3º Ato. Curiosamente, a ária não foi escrita para Os Contos de Hoffmann. Escreveu-a como uma ghost-song na ópera Les fées du Rhin (que estreou em Viena em 8 de fevereiro de 1864 como Die Rheinnixen).

A barcarola foi incorporada em muitos filmes, incluindo A Vida é Bela e Titanic.

Texto original em francês, conforme Free Choral Sheet Music:
http://www.cpdl.org/wiki/index.php/Entreacto_e_Barcarola_(Jacques_Offenbach) - site vinculado à Wikipédia, que pode ser sintetizado como uma enciclopédia de músicas clássicas e de coral.

A peça completa "Os Contos de Hoffmann" pode ser baixada no site do Projeto Gutemberg, que também é gratuito e funciona como uma biblioteca de livros com domínio público ou gratuitos. O download pode ser feito na seguinte página:


Nicklaus:
Belle nuit
Oh nuit d'amour
Souris à nos ivresses
Nuit plus douce que le jour
O belle nuit d'amour!

Giulietta:
Le temps fuit et sans retour
Emporte nos tendresses
Loin de cet heureux séjour
Le temps fuit sans retour
Zéphyrs embrasés
Bercez-nous de vos caresses
Donnez-nous vos baisers
Bercez-nous
De vos baisers !

Belle nuit
O nuit d'amour
Souris à nos ivresses !
Nuit plus douce que le jour
Oh belle nuit d'amour
Souris à nos ivresses
Nuit d'amour
Belle nuit
O belle nuit d'amour !
Senhor em nossa vida aqui
Andamos enfrentando perigo e tentação sem fim;
Porém, Tu estás cuidando!
Piloto sem igual e sempre encorajando!
Que importa o temporal, se guiares a luz?
Celeste lar, o nosso lar com Jesus.
Amparados somos por Ti num mar imenso e infindo
E vendo as luzes d esplendor iremos sem temor,
Chegando à sombra da morte
Fé, coragem darás e piloto verdadeiro serás
Ah... Iremos andando para nosso lar
Senhor, contigo é bom andar, Tua vida foi esmagada.
Que nós possamos conhecer; por Ti foi a graça dada!
Nas ondas do Teu amor, estamos sempre alteados;
Olhando pra o Senhor vamos nós para a luz.
Celeste lar, o nosso lar com Jesus.


Já o coro a boca cerrada (coro a boca chiusa) é genial mesmo. Não precisa mesmo abrir a boca. Puccini é dez sempre e mais alguma coisa. Haja folego!

 

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