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Tráfico se infiltra nas escolas públicas e particulares de Aracaju

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tráfico se infiltra nas escolas públicas e particulares de Aracaju

Texto: Bruna Carvalho (Estagiária)

Os portões de escolas particulares e públicas em Aracaju deixaram de ser barreiras para o tráfico de drogas no Estado. Maconha e até mesmo o crack, uma das drogas mais devastadoras do mundo moderno, são vendidos sem limites por alunos de classe média que são recrutados pelo crime organizado. Um aluno, de 15 anos, de reconhecida escola particular da capital sergipana, relatou a facilidade que tem em comprar drogas ilícitas dentro do ambiente escolar. Porém, o que parece divertido ou fascinante no primeiro contato com a droga para ele se transforma num pesadelo para pais de alunos e donos de escolas que buscam alternativas para inibir o avanço do tráfico.
“No intervalo da aula, a gente passa o dinheiro para um colega mais velho, que estuda no terceiro ano. Ele tem contato com os traficantes de uma boca chamada Pantanal e é responsável por distribuir a droga na escola. No dia seguinte a massa [maconha] está em nossa mão. Ele também vende a pedra de crack a R$ 2,00”, contou o estudante André (nome fictício), que cursa o segundo ano do ensino médio em um colégio particular de classe média alta na capital.
Além de usuário, André também recolhe o dinheiro de outros alunos para repassar ao colega avião – distribuidor de drogas –, que vende o produto a um valor mais caro. “Com R$ 10 não dá nem para fechar cinco cigarrinhos, pois parte do dinheiro fica com ele para compensar o transporte. Quando meus colegas se juntam para comprar é melhor, porque vem uma quantidade maior e a gente divide. Quando isso acontece, eu recolho o dinheiro e passo ao meu colega mais velho do terceiro ano [avião], que pega a droga e me entrega dentro do banheiro da escola. Só depois eu repasso a droga ao restante do grupo”, disse, ao afirmar que há um ano participa do comércio dentro da escola e nunca foi repreendido por professores ou diretores.
“Eles nunca percebem”, completou.
O garoto revelou que fuma desde os 13 anos e garante que se limita apenas à maconha. “Percebi que alguns colegas usavam e decidi experimentar. Na primeira vez não senti efeito, mas quando passei a usar com frequência as experiências começaram a fazer sentido e agora uso sempre que tenho vontade. Porém não me considero um viciado e nem pretendo usar outros tipos de droga”, garantiu.
Há pouco menos de dois meses, a mãe de André descobriu que o filho estava fumando maconha. “Ela questionou sobre meu comportamento, mas eu disse que tinha apenas experimentado. A gente conversou e agora tenho mais cuidado e tento evitar que ela perceba que continuo usando”, revelou.
Sem limites
As praças de Aracaju, principalmente as que ficam próximas a escolas, shoppings e locais onde os jovens costumam frequentar são os pontos favoritos dos traficantes. O jogo “de passa e repassa” da droga do qual André participa já se tornou comum e há muito tempo é motivo de preocupação não apenas para os pais, mas também para gestores escolares. O diretor de um colégio na capital sergipana, que preferiu preservar a identidade, afirmou que o tráfico de drogas é ainda mais recorrente em áreas próximas às escolas. Segundo ele, as praças públicas estão tomadas por traficantes, que abordam os alunos e vendem drogas para serem distribuídas entre os estudantes.
“A abordagem feita por traficantes durante a saída dos alunos das escolas é escancarada e a situação chega a ser incontrolável. A gente promove capacitação, reuniões, desenvolve planos junto aos profissionais de educação sobre a prevenção e combate ao uso de drogas ilícitas, mas o tráfico avança e ultrapassa os limites dentro e fora da escola. Se torna inválido agir apenas no ambiente escolar se não existe uma segurança reforçada nas ruas, capaz de coibir a ação dos traficantes antes mesmo que cheguem até os alunos”, ressaltou.
“A polícia tem conhecimento desses pontos e pouco faz para prender os marginais. São muitos os alunos que usam drogas em pleno dia, nas praças, nas marquises de prédios e até embaixo da ponte que dá acesso ao shopping e as autoridades não enxergam. A droga está avançando porque a polícia não trabalha. Não prende os traficantes que usam agem de moto e bicicleta. A droga é usada abertamente e não há uma ação enérgica da polícia”, desabafa.

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