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Olhoutro - poesia sobre nossa forma de ver

sábado, 14 de abril de 2012

Olhoutro (Jackson Angelo)

Com que olhos você vê o mundo?
Com que olhos aprendeu a ver?
Com que olhos esconde seu olhar?
Com que olhos olha o olho do outro?

Olho no olho
Escuridão? Ou luz?
Visão? Miragem? Fantasia?
Alegria infeliz? Riso choroso?
Tristeza alegre?

Olha o outro
O outro lado de si mesmo
O outro lado do outro
Na outra forma de ver

De sentir, de pensar a imagem
De si mesmo, do mundo, das pessoas

Com que olho você se fecha pra dormir?
Com que olho acorda e pode ver tudo?
Com que olho?



Escolha a íris para a montagem. Basta clicar na imagem.

O homem mau que há em mim

Nesta poesia tento dizer que enquanto seres humanos cobramos muito das pessoas, julgamos todo instante, fazemos críticas ferrenhas ao menor sinal de incômodo. Nossa interpetação pode falhar dia após dia e chegamos a ter extrema dificuldade de admitir os próprios erros e até a própria maldade que carregamos no peito. Falo do homem mau que há em cada um, do homem que precisa se deixar domar pela consciência, que precisa se salvar de si mesmo cada segundo.

O homem mau que há em mim não quer ceder o assento do ônibus para o ancião
Tem raiva porque o ancião existe, porque ele é fraco, porque lhe parece feio
O homem mau que há em mim estranha porque não lhe amam como gostaria
E nunca se aproxima de ninguém com ajuda ou amor no coração
O homem mau que há em mim ousa falar contra Deus
Mesmo sabendo que esse mesmo Deus reprova suas maldades quotidianas
O homem mau que há em mim gasta todo seu dinheiro com cachaça, mulher, festa
E no fim do ano nada há a mais na sua vida que valha seu trabalho
Nem as companhias se lembram de seu nome
Os momentos são cópias da mesma alegria dopada, da mesma tristeza amordaçada
O homem mau que há em mim não gosta de ser corrigido, ensinado, despreza os conselhos
Adoro caçar, ver , criticar as falhas do outro até massacrá-lo,
Até que sua face fique triste, até que ele mostre o quanto é superior
O homem mau que há em mim odeia não ser o melhor
Odeia quem é melhor, quem tem mais, quem pode mais
Está cheio de sentimentos negativos no seu coração
Apesar de falar tanto sobre o amor
Apesar do seu discurso ético, racional, moderno, libertador
Sua vida é um apagão da luz que tanto propaga
O homem mau que há em mim não tira férias, não dá trégua
Mas certamente quer ser sempre pago em dobro
Quer atençaõ em dobro, exige entrega total
O homem mau que há em mim sabe que vai envelhecer um dia
Sabe que vai perder as forças, que poderá precisar de outra pessoa
Que as amizades serão ainda mais extintas
Ele despreza até a certeza fria da solidão
O homem mau que há em mim até chega a ver a luz
Mas não anda no caminho que essa luz mostra
Ele se esconde, mas nunca se retira
Nunca se afasta, nunca se basta

(Jackson Angelo)


 

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