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Eu quero apenas Jesus porque Ele acolhe o desprezado

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Compartilho com vocês este lindo texto do meu amigo Alexsander Carvalho, jornalista, novelista e escritor. Leiam até o fim,garanto que valerá muito à pena.

Acessem o seu site e conheçam seus outros textos. O blog de Sander tá começando agora e lhe desejo fôlego, porque talento ele tem e muito.



Vou continuar hoje a minha série Eu quero apenas Jesus. O texto é um pouco longo, mas leia até o fim.

Quero começar com uma história muito conhecida que é narrada em três evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas. A mulher que tinha um fluxo de sangue. Vou me ater aos evangelhos de Marcos e Lucas que trazem mais detalhes da história.

Lucas começa contando assim:
“E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada” (8.43).

Ora, ter um fluxo de sangue, uma menstruação que nunca estanca é certamente um tormento para qualquer mulher. Mas o verdadeiro problema era outro. Essa mulher estava enquadrada nas rígidas leis cerimoniais judaicas. Vejamos o diz Levítico em relação a pessoas com esse problema:

“Também a mulher, quando tiver o fluxo do seu sangue, por muitos dias fora do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda, como nos dias da sua separação. Toda a cama, sobre que se deitar todos os dias do seu fluxo, ser-lhe-á como a cama da sua separação; e toda a coisa, sobre que se assentar, será imunda, conforme a imundícia da sua separação. E qualquer que a tocar será imundo; portanto lavará as suas vestes, e se banhará com água, e será imundo até à tarde”. (Levítico 15:25-27)

O texto deixa claro todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda. E o evangelho nos conta que ela padecia deste mal havia inacreditáveis DOZE ANOS.
Doze anos sendo imunda.
Doze anos sendo apontada na rua.
Doze anos as pessoas fugindo dela.
Doze anos sem saber o que é um toque humano.
Doze anos sem poder ser abraçada.
Doze anos tendo que se desviar de coisas e pessoas para não contaminá-las.
Doze anos sendo a impura da vizinhança.
Doze anos desprezada.
Doze anos rejeitada.
Doze anos com um único adjetivo, uma única marca. IMUNDA.

Você já parou para pensar no quanto a alma desta mulher estava em frangalhos? Qual terá sido a última lembrança de um carinho recebido? Quem lhe teria dado o último abraço? Será que ela ainda tinha na memória a sensação de um abraço, de um beijo? Será que era casada, que gerara filhos?

A mulher tentara de tudo, gastara todas as suas posses com médicos e nunca pudera ser curada. Marcos assevera que ela “havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior” (Marcos 5:26). Indo a pior. Quanto mais gastava, mais a situação se agravava. Parecia que para ela não havia mais solução. Teria de conviver com a marca até o final de seus dias.

Até que ela ouviu falar de um homem diferente que andava por aquela região fazendo o bem, curando os enfermos, dando uma nova vida a milhares de pessoas. JESUS.

“Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal”. (Marcos 5:27-29)
Vamos meditar um pouco nessa passagem. O que se destaca de imediato é a incrível desta mulher. Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. Realmente, é um exemplo maravilhoso de fé a ponto de Jesus dizer-lhe posteriormente a tua fé te salvou. Mas acredito que o fato de estar há tantos marcada, rotulada, desprezada a tenha feito decidir ser discreta. Muitos fizeram pedidos de cura a Jesus, cegos, leprosos. Mas ela quis simplesmente tocar sem ser percebida, tanto que veio por trás de Cristo. Talvez por ter sofrido anos com a percepção religiosa do povo.

O certo é que, assim que tocou, “logo estancou o fluxo do seu sangue” (Lucas 8.44). Ela sentiu na mesma hora que estava curada.

Entretanto o que quero destacar aqui não é a cura em si, mas o que veio depois.

A mulher estava curada. Seu mal fora arrancado, o fluxo estacando, já poderia voltar para casa em paz. Seu intento havia se concretizado.

Todavia algo mais aconteceu.

“E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou? E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude” (Lucas 8. 45,46).

Jesus simplesmente para sua caminhada e pergunta pela pessoa que o tocou. Por que ele precisava fazer esse gesto? A mulher já havia sido curada. A hemorragia já havia parado. Mas Jesus perguntou, chamou, conclamou. Isso é o mais extraordinário para mim.

Jesus sabia bem quem era a mulher, conhecia sua história, suas dores, suas feridas. Jesus sabia que ela necessitava não apenas de uma cura física, mas também uma espiritual que estancasse as profundas feridas de uma alma marcada pelo desprezo por doze longos anos. A cura espiritual só vem através das palavras de Jesus. Aquela mulher precisava das palavras de Jesus, precisava ser acolhida.

Pense comigo. Havia doze anos ninguém chamava por ela. Havia doze anos ninguém se dirigia a ela. Havia quanto tempo ninguém ninguém lhe dava atenção. Havia doze anos sem palavras de conforto, ânimo, fé, consolação.

Aquela mulher precisava ser acolhida.
Aquela mulher precisava ser confortada.
Aquela mulher precisava se sentir querida.
Aquela mulher precisava se sentir amada.
Aquela mulher precisava sentir o toque das palavras de Jesus.
Aquela mulher precisava de Jesus.

E Jesus a chamou.

Interessante notar que Jesus estava a caminho da casa de Jairo, principal da sinagoga, para atender sua súplica de cura para sua filha que se encontrava muito doente. Mesmo assim Jesus parou. Essa parada de Cristo custou vida da menina. Foi necessário não uma cura, mas uma ressurreição. Jesus, porém, não se importou de ter de fazer uma milagre maior só para poder conversar com aquela mulher chamada de imunda pela lei.

“Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como logo sarara” (Lucas 8:47)

Vejam como a mulher se apresentou. Tremendo. Doze anos sem poder aparecer em público. Sem poder se aproximar. Sem poder falar. Sem poder se prostrar. Com Jesus e por Jesus, ela apareceu, aproximou-se, falou, prostrou-se.

“E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz”. (Lucas 8.48).

Que momento! Que palavras! Que Jesus!

Eu quero apenas Jesus.

E hoje, a realidade é diferente? Quantos pessoas com fluxo de sangue andam por aí desprezadas, rejeitadas, marcadas.

O fluxo de sangue, no sentido literal, não é mais problema. Contudo, temos nossas próprias marcas e rótulos com os quais carimbamos as pessoas como IMUNDAS. São fluxos de sangue morais.

O liberal. Carimbo.
O rebelde. Carimbo.
O fornicário. Carimbo.
O adúltero. Carimbo.
O homossexual. Carimbo. Carimbo. Carimbo.

Essas pessoas costumam ser desprezadas e rejeitadas por nós por conta de erros cometidos ou problemas existenciais com os quais não conseguimos lidar.

Qualquer pessoa pode cometer um erro ou passar por um problema de difícil solução. Erro é erro e pecado é pecado. Com certeza. O problema é que nós, ao contrário de Jesus, podemos promulgar sentenças peremptórias sobre essas pessoas, como se a situação não pudesse mudar. Muitas vezes levantamos a mão na igreja dizendo que perdoamos, mas persistirmos em apontar o seu erro quando nos é conveniente ou vivemos de soltar piadas ferinas.

Conheço uma pessoa que foi disciplinada e as pessoas da igreja (não todas, claro!) quando a encontravam na rua ou mudavam de direção para não passar perto dela ou viravam o rosto para o outro lado a fim de não cumprimentá-la. Afinal, o carimbo estava lá. IMUNDA. Mesmo depois de ter passado pela disciplina e sido reintegrada à membresia da igreja, essa pessoa sofreu com o preconceito porque a marca continuava.

Não é à toa que Jesus é pedra de tropeço para osa religiosos. Quando comparamos essas atitudes com as de Cristo, descobrimos o quão distantes estamos dele. Descobrimos que precisamos nos arrepender de nossa religiosidade e nos revestir, como disse Paulo, de Cristo.

Infelizmente não acolhemos.
Desprezamos.
Rejeitamos.
Batemos a porta.
Jogamos fora.

Ninguém doente ou machucado vai ao hospital para ser expulso. Mas é isso que fazemos com nossos doentes e feridos. Nós ferimos mais, machucamos mais. Nós pisamos, espezinhamos. Nós divulgamos, espalhamos. E nós carimbamos. IMUNDO. Fazemos a pessoa sangrar em praça em pública enquanto assistimos ao espetáculo deprimente. Depois cantamos “Nada pode calar um adorador”. Quando nossa boca foi usada para denegrir um irmão.

Jesus é diferente. Podemos ser um pouco diferentes também? Podemos ser um pouco parecidos com Ele?

Jesus acolheu, abraçou, perdoou, deu nova vida. Jesus deixou as noventa e nove e foi atrás da uma que se encontrava desgarrada.

Tem bom ânimo, vai em paz. São as palavras dele.

Em todo o evangelho, vemos que Jesus acolhe o desprezado.

É por isso que eu quero apenas Jesus.

Alexsander Carvalho
 

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