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Ouvir a multidão

sábado, 20 de dezembro de 2008

Yelena Isinbayeva, a linda e fenomenal atleta russa, estabeleceu em 18 de agosto de 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim, China, o atual recorde mundial de 5,05 m na prova do salto com vara.

A cena recebida por satélite mostrava um estádio inteiro reverenciando sua performance. Agora, o ouro já estava garantido, faltava apenas mais um recorde mundial para sua coleção. Afinal, desde 2003, Isibayeva já batera 23 vezes o recorde mundial na prova.
O que chamou atenção foi sua concentração: Isinbayeva buscou o isolamento.
Enquanto o mundo inteiro pela televisão e um estádio com ansiedade e êxtase aguardava ver com seus próprios olhos o momento histórico em que essa atleta estabeleceria um novo limite para o ser humano, Isinbayeva se trancou por alguns minutos em um particular com ela mesma, se cobrindo com um colchão, que a envolveu por completo. Ali, ela não estava vendo mais olho algum, e buscou ouvir e conversar consigo mesma, pois tudo o que ela iria fazer dependia mais dela do que de qualquer outra coisa ou pessoa. Nesse instante, não importava ver e ouvir a multidão, isto é, as outras pessoas.
Ao término do seu diálogo, Isinbayeva já estava pronta para encarar seu grande desafio. E qual não foi sua reação. Ela deu um salto no ar eletrizante, com muita vibração e alegria, ao atingir o alvo do jeito que planejou. Agora ela ouvia de si mesma e do destino coisas que palavras não descrevem bem.
Jesus Cristo, antes de ser crucificado, pede ao Pai Celestial, a Deus, o Supremo Ser, que perdoe a multidão que estava de frente a ele gritando "Crucificaio-o!Crucificaio-o!", porque eles não sabiam o que estavam dizendo. Outra vez, não importava seguir a multidão, ouvir a multidão. Jesus Cristo, como homem sentia as dores e indignação, como Deus sabia perfeitamente o alcance do entendimento daqueles que ardentemente desejavam o seu fim, com sofrimentos e humilhação.
Christian Andersen escreveu sobre um rei que foi enganado por dois charlatões que o convenceram a contratar seus serviços, anunciando que faziam tecidos mágicos, os quais apenas pessoas inteligentes podiam ver. O rei adorava se vestir elegantemente e os charlatões eram conscientes dessa vaidade. E também sabiam que pessoas vaidosas crêem em tudo que ouvem dos seus bajuladores. Assim, fingiam estar fazendo vestes esplendorosas para o rei, quando na verdade nada faziam, exceto atos mímicos como se manipulassem os tecidos. O rei e seus ministros quando diante dos charlatões e das vestes imaginárias do rei não admitiam que não estavam vendo nada, para não se passar por pessoas estúpidas e comprovar que eram inteligentes. Escolheu-se o dia da pátria para o rei desfilar com as vestes e foi anunciado ao povo que as roupas eram feitas com um tecido especial vista apenas pelos inteligentes. E o rei desfilava nu, porém ele e todos os outros e toda a multidão admirava veeementemente os trajes reais,; apenas uma criança do alto de uma árvore teve coragem de falar; "o rei está nu". Então, toda a multidão acordou do transe, do pacto de silêncio, inclusive o rei que voltou para seus aposentos reais cobrindo suas vergonhas com as mãos.
Não foram essas as únicas vezes, não são as primeiras nem as últimas. Toda história mostra exemplos e mais exemplos de pessoas que ousaram não ficar atentas, presas e escravas do que pensa e vê a multidão.
Foi por dar ouvidos que Adão e Eva deram um rumo diferente aos seus destinos. Destino para o qual todos nós fomos direcionados até hoje.
Apenas esses exemplos somados me esclareceram muitas verdades e sei que muitos já dimensionaram realidades e contextos até mais amplamente do que eu.
É importante que tenhamos consciência do nosso papel no mundo.
É importante que saibamos o que e quem somos, pelo que lutamos, o que estamos buscando, independente do que dizem as pessoas, do que elas pensam.
As pessoas por várias pressões sociais e imposições culturais podem adotar comportamentos enquanto maioria, mas que para elas mesmas não é verdadeiro, é inadequado, e não expressa o que elas realmente vêem
É necessário um diálogo conosco mesmo para um acerto de contas da nossa vida, do que queremos, do que estamos fazendo ou planejamos fazer em um tempo e lugar.
As pessoas enquanto multidão ou até individualmente podem não ter conhecimento suficiente e adequado ou nenhum conhecimento ou até não ter capacidade de absorver, assimilar, compreender nossos projetos e planos, o que queremos expressar, dizer, defender, propor, explicar, questionar.
 

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