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Mais um fim de namoro

domingo, 12 de outubro de 2008

Observação: é apenas um texto, não um fato!
Se fosse fato, mesmo assim, não admitiria!!!!!
Mais um fim.
Este foi o mais marcante.
Nunca planejei desde o início algum tipo de fim. Não sabia o que sentiria quando ele viesse. Cheguei a imaginá-lo eminente e facilmente suportável. Noutros, seria como morrer, nem queria imaginar, pois seria perda de tempo sofrer por algo que não se espera para aquele momento.
Se puser em comparação os momentos que vivi de bons e maus neste relacionamento, houve alguns em que achei melhor, medindo todas as circunstâncias que me vinham à memória, acabar tudo mesmo com direito a ponto, referências bibliográficas, capa e estante. Eu alguns momentos, eu destruiria centímetro por centímetro desta estante com socos, pedradas, foiçadas e machadadas. E a queimaria por fim bem longe de casa.
Noutras, estava tão docemente envolvido, motivado por sentimentos nunca antes experimentados, intraduzíveis por palavras. Fascinado, vivendo por aquele sentimento, que me trazia sossego, certeza de me sentir bem, uma espécie de mágica viva, real. Pleno encantamento.
As músicas, as roupas, o andar, os abraços, tudo ganhava novo sentido. O mundo virou outro pela presença de alguém tão especial. Não era mais surpresa que as palavras tantas vezes funcionassem como meros acessórios do que nossas percepções, olhos, toques e movimentos nos faziam entender. Aprendi que algumas vezes as palavras só atrapalhariam, porque as outras formas de comunicação estavam precisando de exercício e minha inteira atenção.
Foi como descobrir outra forma de compreender o mundo. Eu já andava, já estudava, mas agora parece que ganhei uma direção para caminhar. Parece que me encontrei, voltei a me maravilhar comigo mesmo e minha possibilidade de correr, falar, ser, existir porque estava então completo.
Isso é bem corriqueiro na vida, pois nela não se planeja como iremos morrer. A não ser quando alguém decide isto de modo efetivo, planejando seu suicídio ou adotando formas suicidas de vida com práticas que destroem a personalidade e a saúde.
Passamos por vários fins:
Fim que a gente sabia lá dentro que era apenas egoísmo, alguma forma de capricho infantil, imaturo. Ou esperando, pondo à prova o sentimento um do outro. E, deste modo, provocávamos dor. Passadas, algumas horas... que nada, era no mesmo instante, apesar de muito abalados, queríamos no perdoar e voltar a ser tudo como era antes.
Fim silencioso, que a gente pouco a pouco relutava em não falar o que suspeitava, temia, achava ser de um jeito ou de outro; alimentávamos opiniões escondidas, queríamos que um compreendesse inteiramente o outro sem as palavras propriamente ditas. Contudo, elas provaram que sempre serão necessárias. E o fim vinha sem palavras e do mesmo jeito que vinha, reiniciávamos: em silêncio, sem palavras. Bastava olhar um para o outro. Mas, de modo mais ajuizado.
Fins muito racionais, em que descobríamos limites e falhas um no outro. É. Ela tem falhas, eu tenho falhas. Existiram falhas que só se davam em conjunto e por conta do que sentíamos. A inexperiência mostrava sua face. Nossa falta de consciência e respeito com essa inexperiência gerava mais e mais dores, queixas, ciúmes. Já não poderíamos ter espaço apenas um para o outro. As novidades adocicadas já produziam alguma forma de abuso no paladar. O que queríamos para a eternidade, precisava agora de tempo pra família, pros amigos, pra tv, pra estudar, e toda normalidade da vida. Já dava alguma falta o mundo real de quem sempre está conosco, até ver os vizinhos que a gente nem tinha vontade de cumprimentar algumas vezes.
Fins com muito bangue-bangue.Violência nas palavras, nenhuma falta de respeito no tratamento. Tanta coisa foi interpretada como má e mostrávamos um ao outro o quanto cada um é forte e o quanto a decisão de acabar não incomodaria, seria até uma espécie de favor.
Agora era hora de colocar tudo na mesa e de já mostrar que sabíamos lavar os pratos que sujávamos.
E outro fim.
Mais um fim.
E outros fins.
Finalmente, grandes amigos. Principalmente porque aprendemos muito mais de nós mesmos do que um sobre o outro nisso tudo.
Fim.
Um fim normal, normal demais. Nunca pensei que seria um fim tão normal.
Enfim, o fim.
 

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