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Em um e outro lugar I

sábado, 10 de novembro de 2007

O palhaço tirou sua face habitual e pôs uma nova máscara, porque esta máscara é sua principal identidade. Ele jogou suas vestes para o alto, como quem dá descarga em uma bolo fecal de mentiras. Este bolo foi por toda vida uma tremenda dor de barriga, só lhe trouxe aflição e dor.
A criança acordou e não havia mais uma mão pra lhe acolher. Seu corpo cresceu, e ela não entendeu porque não estava mais andando nos braços que tanto lhe afagaram e oferecerem proteção e abrigo.
A criança procurou o palhaço que tanto lhe alegrou. Ao vê-lo chorando ficou ainda mais confusa. O palhaço chorava, mas era de alegria. E a criança não entendia porque o palhaço chorava com alegria.

O fogo da vela de jantar foi apagado porque não havia ninguém pra jantar. Ninguém foi convidado. Não se sabe por qual razão o jantar foi feito. As coisas funcionavam por força de convenções.
Quem ia jantar sabia que a comida não teria gosto algum, que o horário era péssimo, que nã o iam comer o que queriam, que não estariam juntosm, mas apenas próximos.
A comida que sobrou do jantar ficou sobre o fogão. E lá mesmo alimentou bactérias, fungos, ratos, baratas e formigas. Alimentou, não foi tempero, marca, horário, conquista, sedução, etiqueta. Eles foram naturalmente convidados pela própria natureza e se serviram pra valer.

A debutante se vestiu de luto quando ela permitiu ver o que seus olhos há muito viam, porém não conseguiam definir. Neste instante, saiu correndo pelo corredor pulando agitada, envolvida por um novo e desconhecido contentamento. Ora, ora, ora!!! Finalmente, ela não ia ter que tolerar tanta gente que ela odiava. Não ia ter que ouvir músicas que ela nunca ouviu nem nunca iria querer ouvir. Ela debutou para si mesma.

Um cego que não quer ver, pois ele sabe o que verá. Um aleijado que não quer andar, porque sabe a estrada que lhe espera.

O palhaço acordou, já sem obrigação de ser espetáculo, já sem ter que tolerar crianças mimadas que não querem crescer, que não toleram a verdade a vivem apenas de fantasias.

Em um e outro lugar, há sempre um amostrado, um rebelde, um alguém que todos desprezam, um louco, retardado, de idéias desconexas, sem juízo, há sempre alguém que merece ser apedrejado. Há sempre um santo falando com prostitutas, um bandido que rouba para o sustento dos pobres. Em e outro lugar...
 

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