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Museu

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Museu do nada e de tudo, de mim mesmo e dos outros,
E de ninguém e todos
Exposição de flores mortas e sem perfumes
De naturezas pétreas e monótonas
Buscando o novo ou um mesmo novo perdido que nunca se achou
Parece que o que se mostra não existe
E que conhecer qualquer coisa é impossível
Imaturo e envelhecido, indesejável andarilho sobre as ondas
De um mar de uma única gota,
Cuja água é sólida, e embora transparente
Não deixa ver o outro lado
Busca desencontrada de sentidos abismais
Penumbras do viver
Ilusão
Tempo que passa parado
Mostrando o invisível solto e rabiscado
De um deserto lamacento
Voa rastejante assim e de outros modos a imaginação
De um prisioneiro sem grades
O olho procura ver, medir, sentir
Ir com o vento
Na direção de qualquer coisa que passa
Passa também a imaginação, o desejo, a lamúria e o sofrimento
Passa também o negro ainda escravizado
E os senhores de engenho em carruagens suntuosas
Passa o enterro em caixões chamados vidas
De pessoas que nem sabem quem são
E de tantas que nem amam e nunca foram amadas
Caixões de brancos, rosas, azuis tons
Passa o séquito em que se erguem martelos, foices e malas
Roupas, nudez, fome, notebooks
Passam deuses alados, deuses calados, deuses extintos e perecíveis
Vaidades e luxúrias vãs
O olho apesar de ver se vê cego
E vai pra dentro de si mesmo
Num redemoinho alucinante
E envolto na delirante cegueira canta e grita
E procura falar, mas com quem?
Interroga o livro da história
Interroga a Filosofia
E descobre que só quer conversar
Conversar com outra pessoa
Nem que seja só na direção do olhar
E vai o olho com as ventanias dos sentimentos e emoções
E agora quer pintar telas deste mundo nunca vivido
E expor na galeria
Deste museu do nada e de tudo, de mim mesmo e dos outros,
E de ninguém e de todos
 

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