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"Eu não sou juiz de ninguém"

sexta-feira, 5 de maio de 2006

"Eu não sou juiz de ninguém", foi o que minha orientadora, Sandra Regina, no projeto de conclusão de jornalismo me disse quando eu fazia referências a mim mesmo e ao meu procedimento, lamentando-me pelo tempo perdido em lhe entregar as pesquisas, e parecendo querer entender e expressar o que podia se passar na cabeça dela. Isto é, eu estava julgando o seu julgar. "Eu não sou juiz de ninguém. Não posso me colocar nesta posição e dizer que você fez isto e aquilo, é isto e aquilo, você tem seus problemas pessoais, tem suas circunstâncias. Eu tenho que lhe respeitar, procurar lhe entender", Sandra completou. A palavra para ser boa não precisa ser grande. Bastam poucas palavras. E até hoje eu fico ainda surpreso como ainda esboço uma tendência a julgamentos, sempre do pior modo, com desconfiança, insegurança e intranquilidade. Interessante notar como as pessoas com que trato diariamente sempre se sentem receosas, preocupadas com o julgamento alheio, frases do tipo: "Por favor, vá desculpando os erros de ortografia", quando alguém lhe entrega uma poesia, um texto, uma carta, algo que ela criou; "Não olhe pra minha roupa, eu não tive tempo de me trocar direito, estava tão ocupada". "Por favor, não me leve a mal no que eu vou dizer". E os pensamentos: "Não posso ir com esta roupa, gosto muito dela, mas está tão decotada". "Ai! se alguém me vê com este traje justo aqui!"; "Puxa! o que vão pensar de mim, eu conversando com uma prostituta! Ela se aproximou de mim! O que eu podia fazer?". "Caramba, sou um homem de bem, não posso ter amizade com esse cara: ele é gay! Vão pensar o quê?"; "Já faz tanto tempo que não falo com aquela pessoa, acho que ela pode até pensar que eu não gosto dela, que ela não tem importância pra mim."; "Amigo, foi o melhor que eu pude comprar, se eu pudesse comprar algo melhor, lhe dar algo melhor, eu o compraria."
Mas, quando eu tirei de mim toda responsabilidade de julgar, eu passei a me sentir muito mais leve, verdadeiramente libertado. Obviamente, existe a responsabilidade de um julgamento crítico, coerente, correto, mas toda justiça, nisto acredito intensamente, deve ser feita com muita misericórdia, pois esta NATUREZA QUE NOS DOMINA e que tentamos (se alguém tenta...) dominar e de que somos feitos é bem conhecida nossa (até que ponto? ela nunca nos surpreende?)!
E foram poucas palavras! Como um alimento que mastigamos por horas, dias, meses, toda vida...
Há tantas coroas postas sobre as cabeças!
Neste momento, só preciso dos meus cabelos.
 

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