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Queria que eles estivessem aqui

terça-feira, 14 de março de 2006

Queria tanto que minha família conhecesse minhas formas de expressão, conhecessem o que tenho pra falar. Eles nunca estão onde eu estou, apesar de estarmos juntos nas horas mais difíceis. Eu sei que isto não é pouco. Minha comunidade não parece muito achegada à internet, tampouco apreciam uma leitura mais aprofundada de seja lá o que for. Digo que não sei se o problema está em mim, porque eu poderia me aproximar melhor deles. A realidade é muito rápida, exige respostas rápidas. Na prática, apenas margeiam a superfície da alma. Eu sou tão vagaroso com a realidade, deixo tanta coisa pra depois. Às vezes, eu me esforço para que meus atos falem por mim, porque minha família algumas vezes fica esperando que eu diga que os amo, e isso pra mim é muito difícil, porque nem toda hora o coração parece estar pronto e não quero mentir sobre isso. Eu só espero apenas que me tratem bem, que se lembrem do meu aniversário. Claro, sempre espero um presente caro, mas acho que eles nunca puderam comprar algo de muito valor. Já eu adoro dar presentes caros (pro meu baixo ordenado), com um belo cartão e uma mensagem maravilhosa. Fazer surpresas, mas sem ostentações públicas. Tem que ser eu e a pessoa. Como posso ainda ter resquícios de um retrógrado materialismo? Eles estão sempre em algum outro lugar. Mesmo que estejamos sentados lado a lado. Sei que posso contar com eles sempre. Não posso me queixar de coisa alguma. Às vezes fico procurando uma coisa em que eu dependa intensamente deles, apenas para que sintam que são úteis, mas não é isto que, no meu entender, pode caracterizar uma relação baseada no amor. Tudo tem que acontecer naturalmente. Não sei se tomo muito cuidado com as palavras, e frequentemente me pego pedindo desculpas. Se sou direto demais se espantam, se me calo, se espantam. Mas, normalmente, nosso maior diálogo se passa no silêncio. Fiz este blog como uma forma de me expor, mas os que convivem comigo todo instante, não consigo compartilhar com eles. Também fazer de um blog um ponto de encontro, parece algo onírico, porque o tempo passa, e parece que vou ficando ainda mais ilhado. Existem muitas limitações. E eu como sempre viro meu único expectador. Rindo de mim mesmo. Chorando sozinho. A maioria dos choros devem ser escondidos, porque este mundo é muito perturbado. E, sem generalizar, esconder os sentimentos mais reais parecem fazer parte do manual de sobrevivência da espécie humana. Eu queria trazê-los pra cá, mas todos têm que trabalhar muito. Meus melhores amigos não se importam nenhum pouco com Internet. A maioria é muito humilde, e mesmo os mais abastados não gostam muito do mundo digital, e o utilizam mais como uma forma de ver receitas, notícias, resultados dos jogos, tabelas de campeonato, querem baixar jogos, etc. De repente, neste agora, me sinto egoísta. Acho que estou tentando compensar uma falta minha. Eu raramente os visito, me acostumei a que viessem em casa, já que aqui estão nossos pais e única avó viva. Meus irmãos moram longe. Eu moro com minha mãe, meu pai, minha , e eles têm um zelo extremo pela minha pessoa. Apesar de me achar pobre, sei que sou mimado. Talvez, isto tenha me impedido um pouco de lutar mais pela vida e de me aventurar por regiões mais inóspitas, onde emoções mais fortes poderiam me invadir a vida. Tudo bem, estou ainda acreditando que este diário terá uma continuação. Meus diários de papel parecem menos seguros, mas guardo segredos maiores, e eles só têm alguma importância pra mim. Aqui, apesar de toda avalanche de universalização, estou menos visível, mais escondido. Talvez, por isto, esta chama renasça, porque na quantidade infindável de verbos, expressões e silêncios, estou boiando num mar sem fim, como um barquinho minúsculo, frágil, sabendo que nunca vou compreender esta imensidão. Minha mãe me ama tanto. Meu pai se preocupa demais comigo, apesar de sua debilidade e quebrantamento. Minha ainda me ensina, ainda está aqui. Minha alma gêmea - não digo isto num sentido espírita, porque sou evangélico e não creio nisto - deve estar em algum lugar. Sei que tenho fantasias. Ah! E como as tenho! É difícil não ter, sempre fui muito fantasioso. E me irrita saber que isto se torna evidente. Nada de anormal. Eu teimo em me assustar com coisas comuns a qualquer ser humano. Hoje, eu saí com eles pra respirar bastante. Respirar ar puro. Ultimamente, o ar puro me fez tanta falta, esta carícia da natureza sobre o corpo. É, o dia foi perfeito. Existe o problema que começou na data desconhecida, existe uma solução para uma data desconhecida, e o dia foi perfeito. Não houve explosões, nada tirou minha tranquilidade. E o vento me recobriu totalmente. O dia foi perfeito. Se eu me concentrar só nesta proximidade física e silenciosa dos que me amam já poderei morrer em paz, se esta fosse uma opção minha. Eu não quero morrer tão cedo, apesar de saber que posso encontrar a maldade na próxima esquina, saber que alguém pode me ofender com alguma palavra, um gesto impensado ou saído do fundo vil de uma alma. É uma pena que existam pessoas más. Se fôssemos todos unidos, se vivêssemos apenas para ajudar um ao outro, para ajudar a alcançarmos todos um objetivo maior de uma sociedade em que houvesse justa distribuição de riquezas e de paz. Isso é tão utópico, mesmo em meu coração senti muitas vezes este asco de querer algo maior, melhor, superior, senti a inveja, o egoísmo, a cobiça, o assassínio, e não me sinto bem com esta lama me perpassando, mas a natureza humana... Talvez eu pense muitas besteiras. E isto esteja sendo meu grande impedimento: não viver a realidade. O palpável, o que é inevitável. Até minhas paixões foram todas platônicas. Tive medo quando notei o interesse de alguém por mim. Medo de que me tirassem desta bolha de segurança. E por diversas vezes quis encontrar alguém que rompesse com todas elas por mim. Só que esta TAREFA É MINHA. Ou de que eu descobrisse que não sou tão único e especial como pretensamente imaginava ter sido. Ou medo de ter que arcar sozinho com a realidade. Entendo, hoje, a Neverland. Mas, sei que em meio a tudo isto, sou uma pessoa muito forte, porque não me tornei uma pessoa má. Tenho até raiva quando digo do quanto fui perseguido por tanta gente, e do quanto o destino tentou me converter num objeto. Se eu disser que batalhei contra vários demônios, dirão que enlouqueci. Minha realidade, apesar de tudo, é verdadeira. Eu trabalho desde meus dezoito anos, cheguei a ganhar a quinta parte de um salário mínimo, fui tantas vezes humilhado, tantas armadilhas, maledicências me cercaram, tanta incompreensão, julgamentos, tribunais e testemunhas infiéis tentaram me tragar a vida, o moral, meu brio. Eu escapei e, definitivamente, não suporto a maldade. Não digo que não tenha meus impulsos carnais, que não tenha perdido a calma, que não tenha cometido minhas burradas. Já falei pornografias, já cutuquei a ferida alheia. Mas eu nem posso contar. Só Deus sabe que é verdade o que não posso contar. Eu me olho no espelho e sei que estou longe de ser um mentiroso. Ah! Mas, eles, como sempre, estão do meu lado e isto torna o dia perfeito. Deus ainda tem me suportado. Este nome Deus tem me doído, porque eu depositei tudo o que sou nesta esperança. E eu espero a bomba de Deus, a explosão de Deus. Por um lado sou ingratísssimo, por outro não consigo entender a Deus. Eu quero amá-lo por tudo o que Ele me deu e fez. Por outro lado, penso no que Ele já deixou acontecer comigo e no que ele não me deu. Penso no silêncio dele quando eu esperava tanto que Ele falasse alguma coisa. Preferiria raciocinar apenas quando necessário e ter sensações só nos momentos adequados.
Vou respirar fundo novamente, afinal, o dia foi perfeito. Se eu não pensar em nada, se eu não lembrar de coisa alguma que me perturbe. O dia foi perfeito.

Quando há algo errado

Quando há algo errado o mais coerente é pensar e buscar uma solução. Ela existe? Detectar o erro, como ele se manifesta e por quê é o primeiro passo. Admitir que aquilo é um problema é outro passo. Avaliar de que modo e até que ponto aquilo pode atrapalhar minha vida, mais um passo. Procurar uma solução adequada, não qualquer uma, não qualquer coisa vendida na primeira esquina, mais e mais passos. Fazer o possível para tirar o máximo proveito de cada momento, nem que seja um sono bem pesado. Não deixar que o desespero tome conta enquanto o mal não estiver completamente vencido. Adaptar-se, sem perder tempo lamentando todo instante a mesma dor. Aprender a suportar a dor da espera, a não desistir de esperar, a crer cegamente numa melhora, se for o caso. A fechar os olhos de choro, mas sem perder a visão do amanhã. Se bruscamente te disserem que é impossível, olhe ao teu redor e veja que até bem pouco tempo tanta coisa que te cerca foi considerada impossível. E o tempo ainda não aprendeu a parar. Pense em tantos que dizem ter alcançado milagres. Milagre, milagre, chega um ponto em que só um milagre! Crer ainda é uma possibilidade!
 

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