Estão, com raras exceções, todos eles no mesmo caminho físico. Eles e elas. Minha geração não se cuida? Todos com barriguinha. Vejo minhas fotos, mais da metade do que sou fisicamente não me agrada, se pudesse faria uma recauchutagem geral. A era digital ajuda muito: estou sempre com o corpo encolhido em uma cadeira, comendo, digitando, teclando, jogando ou sem movimentos. Por horas assim. O que fazer? Odeio esforços, adoro sabores, odeio pensar, adoro sentar e encontrar tudo pronto no Google, na calculadora, nos livros. Encontrar os distantes e os desconhecidos, os escondidos, os reprimidos, os doidivanas, todos em um só lugar. Procurar-me, perder-me. E quero notícias dos meus inimigos, quero saber se estão pior do que eu. Sempre achamos que o outro está melhor. Até eles estão engordando! Mas, não suporto ver tanta foto de gente conhecida minha, da minha época, todos engordando. Meus irmãos engordando. Eu gor-DOOO. Pessoas que vislumbrei tão desejáveis: tudo gordinho. Todos fora do padrão comercial de beleza. Do padrão que acalma. Do padrão vendido nas lojas! Ai! Essa saliência da barriga! Esta forma arredondada da barriga! Os atos e artifícios por não mostrá-la. E a foto gritando: GORDURA! O "R! chega a virar "L": GOLDULA! É MENTILA! Não!Naum! Nãoooooooooohhhhhhh! É possível viver numa boa assim? Se quase tudo o que se associa à imagem do gordo é no sentido de ridicularização, ironia, sarcasmo, referencialidade negativa? O que pode nos propor, de repente, o Fat Family, assumidamente gordos, promocionalmente gordos, em dose família? Eu acho uma fofura vê-los cantar e dançar cadenciadamente. Dá vontade de ser um pouco mais gordinho também! Para aquele momento!sábado, 18 de março de 2006
GOLDULA
Estão, com raras exceções, todos eles no mesmo caminho físico. Eles e elas. Minha geração não se cuida? Todos com barriguinha. Vejo minhas fotos, mais da metade do que sou fisicamente não me agrada, se pudesse faria uma recauchutagem geral. A era digital ajuda muito: estou sempre com o corpo encolhido em uma cadeira, comendo, digitando, teclando, jogando ou sem movimentos. Por horas assim. O que fazer? Odeio esforços, adoro sabores, odeio pensar, adoro sentar e encontrar tudo pronto no Google, na calculadora, nos livros. Encontrar os distantes e os desconhecidos, os escondidos, os reprimidos, os doidivanas, todos em um só lugar. Procurar-me, perder-me. E quero notícias dos meus inimigos, quero saber se estão pior do que eu. Sempre achamos que o outro está melhor. Até eles estão engordando! Mas, não suporto ver tanta foto de gente conhecida minha, da minha época, todos engordando. Meus irmãos engordando. Eu gor-DOOO. Pessoas que vislumbrei tão desejáveis: tudo gordinho. Todos fora do padrão comercial de beleza. Do padrão que acalma. Do padrão vendido nas lojas! Ai! Essa saliência da barriga! Esta forma arredondada da barriga! Os atos e artifícios por não mostrá-la. E a foto gritando: GORDURA! O "R! chega a virar "L": GOLDULA! É MENTILA! Não!Naum! Nãoooooooooohhhhhhh! É possível viver numa boa assim? Se quase tudo o que se associa à imagem do gordo é no sentido de ridicularização, ironia, sarcasmo, referencialidade negativa? O que pode nos propor, de repente, o Fat Family, assumidamente gordos, promocionalmente gordos, em dose família? Eu acho uma fofura vê-los cantar e dançar cadenciadamente. Dá vontade de ser um pouco mais gordinho também! Para aquele momento!
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