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Visão acadêmica sobre a Wikipédia - minha opinião

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Quem faz pesquisas, especificamente em uma universidade, encontra uma oposição ferrenha à Wikipédia como fonte de referência. Alguns professores pedem até mesmo ao aluno que não coloque a Wikipédia como fonte de referência ainda QUE A WIKIPÉDIA TENHA SIDO UTILIZADA. Fica uma questão: não já está se tornando um vício de hipocrisia com relação à Wikipédia.
Pessoalmente não consigo suportar essa resistência de não enxergar na Wikipédia seus grandes e inéditos méritos, seu poder de disseminar informação, sua concepção totalmente livre de interesses comerciais, entre outros aspectos.

Obviamente da forma colaborativa como ela é feita alguém bem intencionado com fontes, referências equivocadas e até mesmo alguém mal-intencionado pode tentar inserir conteúdo duvidoso e inverossímil em algum artigo. Mas a Wikipédian possui meios para controlar e até bloquear esse tipo de usuário.

A principal crítica que se faz à Wikipédia é que ela não é uma fonte segura de informações, porque não se baseia em livros, em autores consagrados, estudiosos, etc. Ora, isto revela uma insuficiência de conhecimento do que é a Wikipédia, pois muitos tópicos claramente revelam as referências utilizadas para consulta na construção do artigo. Já ajudei uma amiga minha com uma monografia sobre vinhos. Posso dizer que se não fosse a Wikipédia não teria caminhado muito, pois algumas obras indicadas nem em língua portuguesa existem e apresentaram fotos e informações muito precisas e únicas. Ainda acessei algumas fontes no Google Livros e traduzi alguns textos pelo Tradutor Google. Meu médio conhecimento da língua inglesa também me auxiliou.

Acho que se parte do princípio de que autores que publicam livros não ERRAM, NÃO DISSEMINAM INFORMAÇÃO DUVIDOSA OU ERRADA. Até que ponto eu DEVO ACREDITAR TAMBÉM QUE UM AUTOR NÃO ERRA? A partir do ponto em que este autor tem notoriedade no meio acadêmico é a resposta comum. Contudo, pode ocorrer que alguns desses autores não informem o que precisamos, dependendo do tema.

Existem assuntos novos e outros muito novos que não são discutidos por teóricos, principalmente em livros e alguns sequer existem em artigos disponíveis na internet (estes são vistos com melhores olhos no meio acadêmico). A velocidade na disseminação da informação, o maior intercâmbio cultural possibilitado pela internet creio que são dois fatores que contribuem muito para que o nível e a multiplicidade de informações novas estejam sempre crescendo.
Por exemplo, quando fiz minha primeira monografia escolhi o tema weblogs, nome como eram chamados na época os atuais blogs. Não havia nenhum livro em língua portuguesa publicado. Os professores sequer conheciam o assunto. Só que para quem assistiu um pouco o crescimento da internet sabe que os blogs se firmaram como uma poderosa ferramenta de comunicação.

Na época os blogs não eram vistos como fontes confiáveis de informação principalmente se utilizados de modo jornalístico, por exemplo. Alguns defensores dessa opinião chegaram a ter previsões nunca confirmadas de que os blogs seriam uma moda passageira, fadadas ao esquecimento assim como outros fenômenos da internet. Quem falou isso nunca tentou editar um blog como expressão de sua personalidade, com intuitos pessoais ou coletivos específicos.

Se eu tivesse baseado meu trabalho em teóricos e acadêmicos ele nunca teria saído do papel, pois havia uma completa falta de fontes. Fiz porque desde o início gostei dos blogs que eu lia. Admiro ainda essa força que eles têm de serem fáceis de editar e de disseminar conteúdo: imagens, textos, poesias, reportagens, etc., sem que fiquem atrelados a um monte de regras e padrões, com pouca necessidade de ter conhecimentos técnicos de linguagem HTML. Embora hoje há muitas técnicas aplicáveis ao seu funcionamento e valores mercantilistas impostos ao meio, mas que também não são obrigatórios.

A Wikipédia me proporcionou um bom início na minha pesquisa, depois corri atrás de outras fontes na própria internet. Claro que é preciso saber selecionar o material, verificar a seriedade de quem publica o site, entre outros fatores. A seleção de informações nunca é fortuita.

Hoje mesmo ainda não conhecia o termo réchaud. Consultando o termo no Houaiss encontrei uma descrição insuficiente para compreender o que seja esse aparelho. Na Wikipédia da língua portuguesa encontrei uma descrição mais completa:
"Réchaud é um tipo de panela, para preparo de alimentos em banho-maria ou não. Espécie de fogareiro de metal, em prata ou inox, usado em restaurantes para flambar sobremesas ou até preparar pratos ligeiros à frente do cliente."
Já a versão do artigo em língua alemã utilizou como referência a Enciclopédia Oxford de comida e bebida na América e apresentou informações mais detalhadas.

A Wikipédia apresenta ainda uma página com respostas e explicações para as críticas mais comuns ao seu funcionamento.

É possível, por exemplo, que os professores de modo geral saibam o que são trolls, flamers, bots? Você sabe? A Wikipédia explica. Então se for fazer um trabalho sobre os riscos da internet vou me basear apenas em livros ainda que eles que não consigam acompanhar o ritmo das informações necessárias? Ou que muitas vezes nem têm a informação que preciso? Quando os livros dão conta tudo bem, mas quando não dão?

Por que não se fazer uma análise junto com o aluno da informação veiculada na Wikipédia, a fim de que possa ser utilizada como fonte de referência?
Qual teórico vai falar, por exemplo, sobre a história do último Grand Prix de Voleibol? Imagine que essa informação seja necessária em algum trabalho. Na Wikipédia há o histórico de cada edição desse torneio. As informações veiculadas podem ser facilmente verificadas consultando o Google, as notícias sobre esportes dos jornais online e, neste caso, o site da FIV (Federação Internacional de Vôlei). Além disto, há links nos artigos para biografia dos jogadores, locais, etc.

Existem muitas possibilidades em que a Wikipédia pode ser uma confiável fonte de informação, e creio que a visão acadêmica sobre a Wikipédia precisa de uma reflexão mais isenta de preconceitos, com temores mas sem desespero e completa negação, até porque os artigos lá disponibilizados são constantemente revisados e possuem padrões para serem obedecidos. Utilizada como única e principal fonte de consulta também não é legal, contudo descartá-la e chegar ao ponto de mascará-la como fonte de pesquisa é muita hipocrisia no meu ver.

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