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O que é ser evangélico?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bem, vou tentar dizer o que é ser evangélico no sentido de conviver com os que não são evangélicos ou mesmo são evangélicos ou seguidores de seitas pretensamente evangélicas; mais especificamente sobre os que possuem ideias sobre o evangélico de modo tal que lhe assusta, indigna e até mostra para você como o mundo é intolerante. Isso o farei de modo resumido, porque daria um imenso livro.
Uso o termo evangélico no sentido de pessoa pertencente a uma denominação que real e unicamente se paute pelo texto bíblico, que não faça nenhum tipo de adoração a algo (ego, objeto, animal, etc.) ou quem quer que seja (homem, mulher, criança, etc.). O melhor sentido para o evangélico, no que consigo entender, é de alguém realmente transformado pelo poder e palavra de Deus, que leve uma vida digna e procure humildemente obedecer os mandamentos expostos na Bíblia, alguém que ame a Deus sobre todas as coisas e ame ao seu próximo, claro se amando também. Mas não é esse o sentido aqui, conforme já expus.
Não digo que não existam evangélicos que correspondam a esta ideia preconceituosa que alguns, por alguma razão, nutrem. Mesmo dentro das igrejas existem evangélicos, no sentido adotado aqui, que causam prejuízos aos outros serem humanos ali dentro, que podem vestir mantos cobrindo cada poro da pele, mas dentro, é o que a bíblia chama de sepulcro caiado. Ainda há alguns que se sentem e querem passar a imagem de tão santos que dá vontade de mandá-los ir voando direto para os céus. Humildade, paz e amor passam muito longe dessas pessoas.
Já vi uma senhora evangélica, a quem tenho muito respeito, que, num gesto de infelicidade, se dirigiu a uma jovem da sua mesma igreja e perguntou: "Irmã, você sabe o que é o diabo olhar pra você e não ter nada pra lhe acusar diante de Deus?"
Pareceu-me um pouco de arrogância espiritual. É como um fumo incomodando as narinas, impossível respirar. Que discurso é esse? Talvez, seja essa arrogância do eu perfeito, superior que faça com que nós, evangélicos simples, totalmente carentes da misericórdia divina, ou não-evangélicos, conscientes de seus/nossos muitos erros, olhemos para essa classe de arrogantes espirituais como fumo.
Vale ressaltar que, antes de ser evangélico, eu já fui apenas uma pessoa que acreditava em Deus por ouvir falar, quer dizer, apenas seguindo uma cultura que me foi passada pouco a pouco.
Como pobre enfrentei os preconceitos e limitações impostos a mim pela minha condição financeira. Mesmo entre os que são pobres, posso dizer há escadas de discriminação e exclusão, conquanto um possa comprar uma roupa de marca ou não, se sua casa tem algo incomum para um pobre ou não, entre outras vaidades.
Como criança pobre também soube como os adultos podem ser intolerantes e insensíveis, apegados a imagens frias do seu imaginário ou de valores e conceitos passados de um para outro, sem o menor e devido questionamento.
Como adolescente, sei o que é ser visto como adolescente, lembro que nessa época consegui encontrar um princípio ou ideal para seguir e defender essa nova paixão ou crença. Aqui não me refiro à religião, mas aos novos conceitos, valores e juízos que, de acordo com tudo que ouvi e vivi, pude ter como correto.
Sempre gostei do diferente, do autêntico, assim, na adolescência, para expressar essa minha paixão, busquei ter roupas diferentes, não precisavam ter marca, não precisavam obedecer manuais de moda e não tinha nenhum adolescente em que me inspirasse.
Na verdade, na minha infância os únicos adolescentes que ainda pude ver na televisão foram Pedrinho e Narizinho, personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Apesar de gostar deles, não os tomei como referencial pra nada. Eles eram apenas personagens divertidos de um mundo imaginário que toda criança gosta.
Então, sei o que é ser adolescente, começar a conviver com as questões da sexualidade, com o assédio de pessoas de ambos os sexos, de diferentes idades. O mundo da sexualidade é sempre trazido pelo mundo de modo trágico, sem amor, desvirtuado, sem compromisso, sem respeito e limites. Muito mais agora com a invasão e facilidade de acesso a produções pornográficas por mecanismos comunicacionais como internet e celular, aliada ainda a uma facilidade assustadora de troca e registro de informações (vídeo, som, imagem, texto).
Como aluno, apesar de não ter chegado ao nível de formação acadêmica que poderia ter chegado, sei o que é ser aplicado e inteligente (digo isso com humildade). Se eu disser que sou burro estou me enganando. Não sou PhD e expert em nada, mas tenho um bom nível de conhecimento, apesar de odiar ler e odiar estudar.
Alunos que tiram notas boas também sofrem retaliações. São vítimas de preconceitos e exclusão também. Se têm a ousadia até de questionar o que os professores dizem e defendem, o quadro vivido pode ser bem pior.
Meu histórico na universidade, por exemplo, foi terrível. Nunca me decepcionei tanto com uma instituição de ensino e com tanto preconceito religioso por parte dos professores. Ser aluno contestador e ainda evangélico é terrível em um ambiente acadêmico. Se uma tribo mata crianças vivas isto é encarado por muitos lá como uma resistência cultural que deve ser respeitada e preservada. Vi professores que até defenderam o ataque terrorista de 11 de setembro!!! Outra defendeu com toda alma o regime socialista e o assassinato da liberdade imposto pelos regimes socialistas como melhor caminho para o Brasil. Então, sei o que é exclusão, sei o que é defender meus ideais.
Sei o que é ser testado, sei o que é ser pesquisado, falado, xingado.
Desde pequeno, desce que nasci sei muito bem o que é isto.
Contudo, nenhuma visão exterior a mim me assustou tanto quanto a que as pessoas têm dos evangélicos, por você ser simplesmente uma pessoa que vai a uma igreja evangélica. Só por você se dizer parte dela. E ainda pior, se você for da igreja Assembleia de Deus, a perseguição, os preconceitos são muito, muito maiores, porque há preconceito de outras denominações também.
Eu até entendo. Há pessoas que na Assembleia de Deus, dependendo do seu nível de euforia, desconhecimento, despreparo, falta de conversão, entre outros fatores, acabam adotando um tipo de relacionamento e discurso que dá razão para certos conceitos. Isso pode ocorrer em qualquer tipo de instituição, seja religiosa ou não.
Sei o que é estar desviado de uma igreja também. Poderia falar muito sobre isso. Ser um evangélico desviado, isto é, que não frequenta nem obedece mais aos preceitos e a doutrina que lhe foi passada, pode representar níveis diferentes de exclusão por uns e por outros gerar um tipo de aproximação, que é como se você saísse do que é errado e passasse finalmente a ser um iluminado, uma pessoa que se libertou de um prisão maligna e está, agora sim, fazendo o que é correto e justo.
Então, sei o que é ser visto como evangélico de diferentes ângulos.
Ser evangélico é conviver com diferentes tipos de injustiça, dor, angústia e exclusão, no que se refere à convivência com alguns tipos de não-evangélicos. Vou citar alguns conceitos que frequentemente ouvi e ouço de pessoas que não são evangélicas, não digo de todas, mas que é um número muito significativo de pessoas.
1 - Evangélico é uma pessoa que fez tudo o que não presta na vida, e agora quer apagar sua antiga imagem e passar pras pessoas uma imagem de boa pessoa.
2 - Evangélico é tudo falso!
3 - Evangélico é uma pessoa aprisionada por falsos líderes e falsos conceitos, que trabalham para ser roubadas por eles!
4 - Evangélico é tudo igual, não têm carácter!
Há outra questão no relacionamento com as pessoas evangélicas ou não. Elas lhe criticam por você se esforçar para ter um comportamento digno e passam a examinar minuciosamente toda sua vida, toda ação ou não ação de sua parte. Se você que é evangélico pratica algum erro, eles lhe jogam logo na cara: "Você não é evangélico, por que age assim?!"; "é isso que é ser evangélico!??" Eles lhes acusam todo instante e ainda esperam luz e bondade de sua parte todo instante também. Estranho isso!
Se algum evangélico ou não evangélico lhe faz algo visivelmente injusto e insano, alguns questionam: "Você num é crente?! Perdoe!"
Que visão pobre do perdão! Para alguns, a possibilidade obrigatória do perdão é tida como uma desculpa e justificativa para que cometam toda sorte de injustiças com você, o evangélico assumido. Como se não fosse pouco, zombam do valor do perdão, sem dar nenhuma importância ao arrependimento, parecem dizer: "Agora ele é crente, podemos fazer e acontecer!"
Prevalece a ideia do "jesus cristinho". Na universidade, pude ver este conceito em ação. O cara ficou apanhando como um jesus cristinho, caindo, sangrando. O "jesus cristinho" é um cara, homem, mulher, que tolera todo tipo de humilhação e violência calado, tendo sempre que oferecer a outra face; não tem ação de auto-preservação nem de amor-próprio. Mas esquecem que devemos amar aos outros como a nós mesmos. Isto é, antes de amá-los devemos nos amar também.
Então, estes conceitos são atirados contra nós que nos declaramos evangélicos e muitas pessoas agem em relação a nós sem nenhum tipo de justificativa para o conceito. Tais pessoas nos tratam e se relacionam conosco de acordo com essa visão. Há uma generalização cruel: se você não era evangélico e passou a fazer parte de uma denominação evangélica, é inevitável que este tipo de intolerância venha ao seu alcance.
Essa convivência com alguns tipos de não-evangélicos não precisa ser física e presencial. A convivência se dá no nível digital e textual também.
Em algumas novelas da Rede Globo, as quais não assisto porque não gosto mesmo de novela, é possível ver como esse poder supranacional incute e reforça na cabeça de sua audiência a intolerância e desconhecimento do evangélico em sua essência. Não vou citar exemplos porque o texto já tá muito longo.
Se não assisto por que sei? Por que essas informações pude ver, em momentos em que me sentei no sofá para analisar o que estava sendo veiculado, por estudos sérios feitos por pessoas sérias e por ler o que foi veiculado em sites evangélicos.
Em algumas comunidades de ateus também pude ver o nível de intolerância, o nível de ironia e apoucamento que alguns deles fazem dos que são evangélicos. Se bem que eles criticam toda e qualquer religião, mas a evangélica é a preferida. São piadas e mais piadas, críticas com crueldade, se desfazendo, ridicularizando, sentenciando.
Uma sentença da bíblia é muito válida para pensar sobre essa situação. A bíblia diz que a boca fala do que está cheio o coração. As pessoas que assim agem não têm misericórdia nem amor ao ser humano, por isto seus conceitos são expressos e construídos de acordo com esta sua condição. Porque se houvesse respeito não haveria ridicularização, não haveria desprezo, entre outras injustiças. Se falam com desamor, ódio, desprezo infundado, desrespeito, é porque seu coração está cheio destas atitudes.
Bem, para fechar o texto, posso afirmar que respeito todas as religiões, todos os não-evangélicos e todos os ateus e similares. Então, tenho direito de esperar respeito da parte deles, porque meus atos e minhas palavras devem se pautar por esse respeito. Se a palavra não dá fruto de paz nem edifica então deve ser evitada. Logicamente, posso errar, porque essa natureza decaída está presente em todo ser humano.

O que fazer quando sou ofendido injustamente? Essa é uma grande questão!
1 - A lei brasileira nos garante que temos liberdade para praticar qualquer religião. Então, é possível que possamos recorrer à Justiça por intolerância religiosa. Mas, acho que só é válido recorrer se for uma perseguição dinâmica, repetitiva, e for crescendo, crescendo. Poderá ser válido ainda mostrar para essa pessoas que você é realmente diferente. Um diálogo sincero e respeitoso com a pessoa. Ou ainda um pouco de desprezo também pode ser útil, dependendo da situação.
2 - Não posso estranhar estas atitudes. Se Jesus Cristo que é a Verdade sofreu por conta de intolerância e foi perseguido, logicamente quem entra neste Caminho deve saber que sofrerá situações semelhantes. A principal é: Mesmo que tenha tentado fazer o que é justo e correto, será encarado por uma multidão como injusto que desejará, se possível, a sua morte. Não foi assim com Cristo?!!
3 - A bíblia diz que devemos orar por nossos inimigos. Deus é justo e não é cego, deixe seu coração ser orientado por Ele para saber o que fazer (ou até deixar de fazer!). Busque uma resposta em oração e tenha misericórdia de pessoas assim. Paulo, o maior perseguidor do evangelho, foi também o mais perseguido, pois foi quem Deus escolheu para fazer Sua obra. Quem sabe um desses inimigos do evangelho, um desses que te perseguem e acusam injustamente não possa ser transformado em uma pessoa diferente, e possa ter os olhos iluminados de acordo com a graça de Deus?
4 - Respirar fundo, dizer "Jesus me acode!". Afinal, não se atiram pedras numa árvore que não seja frutífera. Se estiver dando frutos para Deus, haverá muita pedra de todo lado.
Finalmente, fico com um hino bem antigo que tem a seguinte frase: "Quanto mais perto de Deus eu ficar, mais inimigos terei que enfrentar. Aqui no mundo é mesmo assim, mas com Jesus quero estar!"
 

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