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Relacionamento pais e filhos

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O que aprendi na minha vida é que o relacionamento com os pais é algo que pode ser simples e muito complexo. Depende de muitas circunstâncias.
Falar deste relacionamento pode ser complicado, pra mim é, porque quando convivemos com alguém ficamos sujeitos a uma mesma embarcação, com suas ondas e ventos alísios ou com intermináveis tempestades. Certamente viveremos situações boas e ruins, momentos de muitos altos e muitos baixos, de querer ficar abraçados e outros de fugir para nunca mais ver. É um exercício de muitos sentimentos, muitos dos quais podemos nem conhecer. Neste enfrentamento da vida, é preciso ser forte; por mais frágeis que sejamos, como formiguinhas nos agarramos onde pudermos com toda força para que os ventos não nos levem.
Como não somos produzidos em série, certamente a experiência das diferentes pessoas com seus pais é muito variável, não podemos ficar querendo o mesmo sucesso ou avaliar do mesmo modo o insucesso que podemos ter ao tentar construir uma relação agradável. Na verdade, essa construção da convivência deve ter como base o exercício do amor e da compreensão, porque muitos castelos podem ruir em segundos sem essa sustentação.
Aprender a amar, aprender a compreender o amor e cuidado do outro, aprender a sentir como o outro se sente ou como nos interpreta, aprender a ser pai ou ser mãe, aprender a ser filho, estes ensinamentos podem ser difíceis de ser assimilados. Vamos aprendendo com o tempo, pois muitas vezes a cabeça não está no seu devido tempo de entender.
Muitas lágrimas podem vir à tona. São queixas, reclamações, os estresses, as falhas do outro, as discussões, o abuso de palavras hostis, as tensões. Os mimos que de uma hora pra outra se transformam em tapas e gritos. A vontade de que o outro se alegre com nossas conquistas, os desejos materiais e carnais, as leis, os valores, é uma multidão de coisas que permeiam as relações e os discursos, que ficamos pequenos. Em tudo isto, é preciso aprender a conquistar o equilíbrio, mesmo nas situações mais adversas.
Temos que aprender tantas lições neste relacionamento, que é tão íntimo. Mas, muitas vezes tão afastado por conta do que, por vergonha, medo de rejeição, medo de estar infringindo as regras, medo do desapontamento, o ser que nos cria, que espera tanto de nós, pode chegar a pensar e sentir.
Se temos pais, quer dizer um pai e uma mãe, é uma questão. Se temos apenas uma mãe ou apenas um pai já é outra questão. Se os pais são separados, se vivem brigando, se são violentos, se são omissos, se não nos amam, se nos espancam, entre tantas possibilidades negativas, é muito difícil falar no relacionamento, que considero o mais fundamental em qualquer vida. O ser que precisa do carinho com sua língua cortada, sua face desfigurada, etc. Para esses casos o que falar do relacionamento filhos e pais?
Graças a Deus não tive essa falta de sorte. Mesmo assim, mesmo que os pais sejam as pessoas mais honestas e que tenhamos certeza que nos amem, podem existir circunstâncias e atitudes neste relacionamento que dificultem uma aproximação prazerosa, livre de amarras e incompreensões, livre de mágoas e ressentimentos.
Este relacionamento é uma questão que daria uma farta enciclopédia, porque tratar de relacionamentos humanos é tratar de tudo que somos, deixamos de ser ou tentamos ser com outro ser que também é dotado de vários desejos, visões, exigências, virtudes e possivelmente falhas.
Se eu tivesse espaço e tempo, falaria da imensa gratidão que tenho por experimentar um relacionamento verdadeiro com meus pais, principalmente minha mãe, com quem vivo até hoje.
Uma coisa acho certa: se temos certeza do seu amor, não vale à pena trocar palavras hostis, não vale à pena ficar falando dos seus defeitos em toda oportunidade, não vale à pena aumentar a voz, ficar sem se falar, esperar que eles se rastejem e peçam desculpas. Principalmente, se desde pequenos eles não nos abandonaram, se trabalharam, se deram o seu melhor, mesmo com todas suas falhas, mesmo que pareçam não nos entender, mesmo que pareçam egoístas em seus pontos de vista. Eles estão dando o melhor de si mesmos, ainda que não vejamos.
Agradeço muito a Deus por ter uma mãe maravilhosa, que ainda me dá conselhos quando vou sair de casa, que se preocupa até com um arranhão que aparecer no meu corpo, com as companhias que tenho, com as festas em que vou. Certo que às vezes pode perturbar esse aparente excesso de cuidados, de zelo, mas que bom que o temos.
Acho que, como filhos, devemos aprender a deixá-los mais despreocupados, menos tensos, e valorizar essa preocupação. Porque só se preocupa com alguém sem interesse quem ama de verdade.
Espero que esse texto ajude a alguém, porque para mim dizer essas coisas, passei muitas situações adversas. Tive muitas discussões sim com meus pais, algumas terríveis de serem lembradas. Hoje, vejo que não valeu à pena. Mas graças a Deus que podemos mudar, podemos voltar a reavaliar nosso comportamento e querer melhorar, buscar a melhoria. Não custa nada tirar um dia para eles e agradecer por tudo e pedir perdão por tudo e recomeçar, sabe, continuar a vida "numa boa", sem ficar preso a cobranças egoístas. Um abraço.

(Jackson Angelo)

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