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Você é feliz?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Hoje, conversava com um amigo sobre felicidade (velozmente). Quando falo sobre isso tenho mais silêncio do que palavras. Ele me perguntou: você é feliz?
Tive que respirar fundo, muito fundo mesmo. Mas claro que não tenho nenhuma resposta absoluta, porque penso que o absoluto não pertence ainda a nós seres humanos. O que é absoluta é essa condição humana, tão cheia de peripécias maravilhosas e tão sujeita a escorregões, quedas e equívocos.

Ao que respondi:

Tenho muitas cachoeiras e rios, de águas claras e límpidas. No meio deles, contudo, há alguns vales, uns se escondem e outros se mostram imponentes.
Por isto, quando atravesso esses vales sei do sofrimento, mas conto com as águas refrescantes das fontes onde me banho.
Assim, consigo consolo e novo ânimo para continuar minha caminhada. A distância entre as águas e os desertos precisa ser vencida. Espantosamente, tenho chegado.
Acredito piamente que em muitos instantes desse trajeto árduo encontro flores e árvores carregadas de frutos. Não morro de sede nem de fome. Por vezes, sei que estou desfalecido, sei que não tenho força alguma, mas começo a crer que Deus é quem está me carregando em Seus braços. Porque sei que há muito eu mesmo parei e minhas pernas não teriam transposto a multidão de areia quente nem os montes que tapam a visão.
É preciso que Ele fale isso? Sei, se for preciso devido à minha falta de controle, de fé, de esperança, certamente Ele falará.
Por vezes impiedosamente íngreme é o caminho, tendo a companhia fiel de um sol escaldante. Meu suor e minhas lágrimas me banham por dentro e por fora. Por vezes, um frio avassalador me envolve e me empurra para trás. Contudo, conto com o vento que sopra atenuando o forte calor. Uma chuva cai e, mesmo que tenha raios, refresca a minha pele, meu corpo, meus cabelos.
Mais do que isso, ainda que nem sempre seja possível, encontro pessoas amigas que, como enviadas por Deus, me dão alento, me estendem suas mãos, e me ajudam na renovação das minhas forças.
Quando um dos viajantes não tem forças pega o outro pela mão e se sente feliz por aplicar o que aprendeu. Cada um em seu trajeto. Cada um com sua história.
A dor, a tristeza, as perdas, juntamente com as alegrias, as conquistas, as vitórias, fazem parte de um processo muito maior do que a busca por um estado humano que imaginamos ser felicidade.
Posso ser dono de mil jardins e sequer saber admirar o perfume de uma flor. Posso ter mil cachoeiras e sempre estar enlouquecido pelas sedes mais estranhas.
O fato é que para haver fotalecimento de carácter, de ideias, de espírito o sofrimento é um exercício necessário. Se não houver momentos de certo sufoco é difícil valorizar e estar grato pelo ar que respiramos.
Tenho uma forma misteriosa de paz por uma única razão, Deus me ama. Não digo felicidade de ter tudo o que quero, realizar tudo o que sonho, porque diante do Seu amor estas coisas ficam bem pequenas.
Sei que Ele me entende, certamente Ele me entende quando paro, quando canso, quando tenho dúvidas, quando não concluo as tarefas de casa. Este ser incompleto, finito, esta minha carência multiforme fazem com que Deus me dê ainda mais do que só Ele tem de modo completo e perfeito: amor.
Esta é a minha cachoeira de amor que me banha quando preciso, me lava, me revigora, me mata a sede.

(Jackson Angelo)

3 comentários

  1. Caro Jackson, seu texto é verdadeiro e profundo!
    É, a felicidade está perto de nós, e com a pressa e outras importâncias que damos a outros fatores, a outros interesses não a vemos.
    Parabéns por ter sido tão claro nessa mensagem!
    Abraço!

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  2. Que belas palavras para uma pergunta que não conseguimos responder sem nos sentirmos hipócritas quando falamos: sim sou feliz.
    Há poesia e sabedoria em suas palavras.
    Fica com Jesus meu amado!
    Sueli Falcão

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  3. O que dizer senão: Lindas palavras! Realmente esta é uma pergunta que nos faz respirar fundo e muitas vezes nem sabemos o que responder. Lembro-me da primeira vez que a ouvi... tinha uns 06 a 07 anos de idade e nunca esqueci. Um andarilho bateu à porta da minha casa pedindo um pouco de comida, enquanto minha mãe foi buscar ele tocou a minha mão e me fez esta mesma pergunta. Eu, no momento, fiquei sem saber o que responder.. ainda não tinha pensado sobre isso e era tão pequena.. mas algo me tocou profundamente, algo que até hoje não consigo explicar.. Às vezes sinto que foi Jesus que tocou meu coração naquele momento.. e até hoje Ele segue comigo, me fazendo lembrar deste momento, me lembrar que os momentos felizes não estão nas grandes coisas mas nas pequenas e simples, que muitas vezes passam despercebidas.

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