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Administração da verdade 1

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Essa foi um pouco da conversa que tive com uma amiga, hoje. Não é nenhum dogma ou lei, é apenas fruto de observações muito falhas da realidade, mas que no momento acredito serem corretas.
A relação do ser humano com a verdade é muito complicada, de tal modo que a mentira se constitui como parte do seu equilíbrio também. Digo a mentira em um sentido bem amplo de não-manifestação da verdade, pois assim como mentimos falando sobre algo, podemos (nesse sentido) mentir escondendo completamente um fato, ou falando apenas partes dele, justamente as partes que não consideremos prejudiciais.
Nesse não-dizer, podemos:
Calar-se - por ser desnecessário falar sobre algo, porque explicar e conhecer esse algo traria mais problemas do que algum benefício;
Falar em partes e calar-se em partes - sem mentir, com desenvoltura conseguir fazer o outro compreender o significado principal do que queremos/precisamos dizer;
Falar totalmente - sem ter medo da reação de ninguém, ainda que isto custe a destruição de uma relação, de uma família, etc. A verdade, nesse caso, é absoluta, está acima do coração, do sentimento, das consequências.
A mentira propriamente dita pode entrar nessas situações como forma de atenuar as reações de alguém, exceto no "falar totalmente a verdade". Sem dúvida, dizer a verdade pode esconder muito mais uma vontade de agredir, apoucar e prejudicar do que mentir.
Nem sempre a verdade é bem-vinda. Desde pequeno vamos notando o quanto podemos errar, e o quanto podemos demorar para enxergar um erro, mais algum tempo para se arrepender e ainda mais tempo para mudar de atitude e abandonar o erro. Não me refiro aqui a qualquer tipo de erro ou que todo instante seja assim o comportamento humano.
Por exemplo, vamos falar de traições. Vou usar o pronome "nós" para representar a raça humana. Existem as traições das quais nos arrependemos, mas nem tanto. As que nos deixam um profundo arrependimento, amargo para toda vida. E outras que ocultamos: gostamos muito do que aconteceu, repetimos, mas pensando bem é melhor ficar com a parte traída. Repito: isso é só um exemplo.
Quando a verdade estabelece juízos sobre aspectos estéticos e egolátricos é um Deus nos acuda. Essa é parte mais sutil na administração da verdade. Como dizer a uma pessoa gorda que ela não é tão gorda, se ele perguntar (a gente sabendo que a resposta magoaria)? Ou que ela é bonita mesmo assim, mas ficaria melhor com umas gordurinhas a menos?
Minha melhor amiga cortou o cabelo no salão mais chique da cidade, custou uma fortuna e ela está horrível, sonoramente horrível. Como dizer, fazê-la entender que realmente está feia? E se ela perguntar nossa opinião, querendo claro nossa natural aceitação. Ela não quer a verdade, ela quer que você se solidarize com a verdade dos olhos dela.
Como aceitar que não consigo mais ter desejo sexual pela minha esposa/o de tão mal-cuidada, desleixada como está? E se eu disser isso a ela/e? Hum! Será que estou pronto para suportar o seu tremendo mau-humor também?
"Como explicar para o meu ultraconservador papai que perdi minha virgindade?" E que gostei tanto que várias vezes fiz sexo depois das baladas?" Muitas garotas ainda se perguntam isso. Ela pode pensar: "Bem, haverá o momento. Posso me calar e nada falar! Isso é tão natural!" E se ele notar, eu sei que ele é tremendamente carrasco com isso, poderei estar no olho da rua e ainda levar aquela surra".
São só exemplos de situações muito comuns.
Tem coisas sobre o outro que precisamos saber, mas o outro prefere se agarrar ao seu ponto de equilíbrio e ter todas as peças do seu jogo aos seus pés. Isso mesmo à custa de iludir outra pessoa.
Assim muitos e muitos e muitos vão cometendo seus deslizes, contravenções e atos condenáveis aos olhos de outro diariamente, vão pensando e fantasiando suas múltiplas loucuras (com maior ou menor grau de conhecimento e responsabilidade).
Alguém comenta coisas sobre outras pessoas muito fortes, tipo: ele é gay, ela trai, ele mente demais, ela tá feia demais com essa roupa, ele tem um mau-hálito insuportável; puxa! como tenho vergonha desse meu vizinho tão burro e sem cultura; ah! por que Deus fez os negros? Por que Deus me fez negra, eu me odeio?! Etc., etc. Quem diz ou pensa tais coisas com que facilidade admitiria na frente das pessoas de quem falou?
Por isso tudo, só acredito na justiça divina como única justiça inequívoca, eficiente e que expressa a exata necessidade das pessoas. Deus vê e conhece o coração arrependido, o quanto cada um se esforça ou não na administração da sua vida.Mais do que isso, vê o interior de cada um e sabe o bem ou o mal que habita nele.
Essa nossa estrutura e falibilidade, nosso desconhecimento pleno de tanta coisa. Nossa inconsequência. A necessidade de cura interior, de aprendizado, de conquista de valores e auto-controle, mesmo quando tudo o que fazemos indica que agimos selvagemente, sem pensar. Isso tudo é muito complexo para cada um de nós. Mas para Deus não existe novidade nenhuma.

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