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Zumbificação (quando o morto sou eu mesmo)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Essa poesia nasceu pensando nas pessoas que morrem mesmo estando vivas, em mim mesmo que tantas vezes me senti quase como sem vida, sem alegria de viver. É nesse contexto.

Quando o morto sou eu mesmo
Preso à idéia da falta de vida
A cabeça já qual uma mortuária com vários caixões
Em cada caixão uma época da vida
Em cada caixão respostas que perdi
Perguntas que não fiz
Amizades desencontradas
Sonhos que falaram depois se calaram
Emudecidos
Morto pela morte
Pela morte da paz
Pela morte de quem nunca mais voltará
Pela morte do meu eu que parece ir aos poucos
Como a areia quando cai da ampulheta
Talvez esse eu nunca tenha vindo
Despedaçado como um aborto diário da mesma gestação
Morto, pela morte da esperança
Da falta de fé
Da falta de consolo pro coração
Caído numa embriaguez sem fim
Entrando no coma do desespero
Da droga, do erro
Zumbi sem manchas visíveis
Sem maquiagem, sem marcha, sem feridas
Perambulando disforme com o coração seco nas mãos
Quando o morto sou eu mesmo
O próprio corpo é o sepulcro
E a alma um grito infinito e calado de dor

(Jackson Angelo)

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