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Ligeira reflexão sobre pirataria

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu queria encontrar uma resposta verdadeira e coerente: sem a pirataria de software como seria a vida digital no Brasil? Nas lan houses sem os jogos e editores de imagens e de texto pirateados? No trabalho das prefeituras, dos governos estaduais, das instituições jurídicas, instituições previdenciárias, nas escolas, nas universidades?
Falam mal da pirataria, mas o Brasil se utilizou e utiliza muito dela.
É sabido que muitas instituições hoje aderiram ao software gratuito para fugir da pirataria, são instituições que poderiam até pagar pelos softwares. Só que elas utilizaram muito e não utilizaram à toa e inocentemente, quer dizer sem saber.
Como seria a música na igreja sem a distribuição "pirata" de mp3 por meio de tantos sites evangélicos? A líder de grupo de coral, de louvor, sem uma coletânea de mp3 com playback lá no interior onde as pessoas sobrevivem com muito pouco?
O louvor quando deixa de ser um produto da fé e adoração para ser um produto estritamente comercial até um impedimento pode se tornar para a obra de Deus.
O que seria dos artistas sem esse monte de piratas que falam de seus nomes pelo Orkut, pelo MSN? Que fazem montagens pra ter sua foto ao lado do seu artista preferido? Distribuem e trocam wallpapers e fotos de seus artistas preferidos, mandam confeccionar camisas com as fotos deles?!?! Compartilham os melhores momentos de suas vidas escutando suas músicas, suas mensagens. Falam de seus filmes, de suas atuações.
São só um monte de piratas não é?
Eu pessoalmente só conheci os meus grupos preferidos de música por conta do download de mp3 por sites e comunidades evangélicas. Nesse sentido, minha maior descoberta foi o Hillsong United, grupo a quem amo muito. Muitos amigos meus conhecerem o grupo assim e hoje adquirem cd's e dvd's originais. Mas e quem não pode adquirir? Resposta: "Que seja correto, trabalhe e arranje o dinheiro necessário". Afinal, os cantores oferecem produtos comerciais e seu consumo deve ser comprado. "Escute na rádio, grave uma fita k7, mas cd não. Mp3 não! Download não!"
A vida de tantos e tantos e tantos milhões de jovens pelo mundo sem o download de mp3 tão rápido, tão feito entre amigos, tão sem interesse comercial é uma atividade criminosa! Acho que isso não vai mudar!
É muito complicado pra vários jovens que conheço, digo, adolescentes viver sem surfar na net e não baixar um "mp3zinho".
Não faço apologia à pirataria. Só quero reconhecer sua importância cultural. Ela pode ter o seu lado "criminalizado" e seu lado realmente criminoso, mas tem aspectos positivos que merecem um questionamento mais compreensivo e não tanto condenatório.
Culturalmente, os dias atuais devem e devem muito ao que se chama pirataria. É minha modesta, irresponsável e ignorante opinião. Há muitas perdas para as grandes e médias empresas, contudo acho que há motivos para repensar práticas comerciais que excluem cada vez mais as pessoas do que elas gostam e são levadas a amar.
Minha adolescência foi marcada por uma exclusão nesse sentido. Sempre amei a música mas não podia adquirir todos os Lps de certos artistas que eu admirava. Algumas vezes, tomava conhecimento deles, primeiro pela Rede Globo que divulgava o trabalho do artista e anunciava que dentro de alguns meses os Lps ou filme já estariam sendo vendidos no Brasil.
E haja espera. Tínhamos que nos contentar com as rádios que conhecendo essa "imposição" anunciavam que iam tocar a música do artista mais esperado e badalado! E a gente esperava, esperava pra ouvir. O dedo já doía por ficar minutos e minutos no play do gravador pra "adquirir" nossa cópia da música. Daí vinham as vinhetas no início, no meio e no fim da música.
Nessa época essa cópia não era pirataria. Existia o comércio paralelo de fitas k7, que eram bem mais baratas do que o Lp. Para os muito pobres que não podiam pagar pelo LP havia o "disquinho", com duas ou quatro músicas. Alguns eram coloridos. Acho que isso poderia até voltar (mas no formato de CD) porque tem artista que lança CD que só dá gosto de ouvir uma, duas músicas no máximo.
Foi isso que me veio à mente sobre pirataria. O cerco às práticas que se denominam de pirataria cresce, mas acho que essa questão deveria ser analisada com mais humanismo, sem tomar o aspecto econômico como único fundamento do discurso. As empresas têm suas justas razões e são muito bem fundamentadas, elas merecem ser ouvidas, sim, com menos fúria e sentimento de indignação pelas pessoas que de um modo ou de outro fazem download de programas, jogos, e mp3 de músicas, vídeos de jogos, filmes, etc.
As empresas investem muito, contratam pessoas para trabalhar, pagam impostos; TÊM SUAS RAZÕES também.

Um comentário

  1. Jackson, esse foi o texto mais sensato sobre pirataria que já li. Concordo plenamente com suas palavras. Um abraço!

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