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Depoimento de empreendedores da fé

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Observação: Primeiramente, sou evangélico. Falho, limitado, mas sou. Este texto é uma sátira a muitas instituições que se vêem e se anunciam como igrejas, instituições que surgem continuamente na sociedade, no interior, na grande metrópole, é um fenômeno bem amplo.
(Ficou claro o primeiro corte de sentido?)
Contudo, é possível enxergar que o propósito prioritário dessas instituições é conseguir dinheiro e poder; na prática, elas funcionam como um banco onde se deposita a fé e parte de suas finanças para alcançar graça, prosperidade e resolução de seus principais problemas.
Quando falo em prosperidade me refiro ao termo prosperidade em sua forma original A palavra prosperidade não possui direitos autorais. Qualquer ligação que se fizer na cabeça de alguém com qualquer denominação é de responsabilidade do funcionamento do cérebro do leitor, não com o sentido do texto.
Estou escrevendo ao sabor da pena, portanto, ficarei alguns minutos fazendo uma tempestade de idéias.
Se alguém o ler, não o leve muito a sério. Repito é uma sátira. Sem criatividade, banal, pra mim não importam as adjetivações. Happy blogging!

Apresentação do curso

O curso de formação e fundação de igrejas e religiões está ao seu alcance. Cansado da pobreza, da mediocridade, de ver as pessoas arrotando caviar e você se acabando pra comer um ovinho de galinha com arroz? Esta é sua chance de mudar. Deixar de ser cauda para ser cabeça.
Para dar credibilidade, vamos ao nosso principal método de persuasão: os depoimentos.
Os depoimentos são dos nosso amados alunos, que se tornaram empreendedores da fé com sucesso e, principalmente, com muito, muito, muito dinheiro.
Os empreendedores são chamados pela nossa equipe de impastores (as). A palavra deriva de impostor e pastor, de onde se originou impastor (isso fica só entre nós)!


Primeiro depoimento

Sjulispicia Dafenodes, 45 anos, bem casada, impastora.

"Eu tava desempregada. Não havia mais esperança pra mim sair daquela vida de empregada doméstica. Recebia ordens de uma patroa chata, velha, feia e eu não tinha um nome. Meu nome era empregada. O meu quarto era menor que a casa de cachorro. Ah!!!! E eu só comia depois que dava a comida dele. Também tinha que escovar seus dentes. Todo dia eu só ouvia: "Empregada faça isso, empregada faça aquilo".
Foi quando ouvi falar do curso para formação de igrejas e religiões e um novo horizonte se abriu para mim. Aliás, novos céus e novas terras se abriram. Descobri que não precisava ficar procurando anjos, eu deveria ser o anjo. O anjo a quem todos recorressem.
Eu deveria deixar de ser alguém que apenas falaria de luz, eu deveria representar essa luz. Essa luz estava em mim, precisaria apenas armar o cenário, usar os trajes adequados, os trejeitos apropriados, modificar minha forma de falar de modo que eu passasse a imagem de autoridade, de modo que as pessoas vissem em mim algo sobrenatural. Tive que me reeducar e aprender a falar alto, com sentimento, com autoridade; aprender a falar em línguas que eu mesmo poderia inventar. Eu tinha que, de algum modo, incorporar uma figura que trouxesse à mente das pessoas o fenômeno vivo da fé, o divino, o espiritual.
No curso fui submetida a muitas leituras de teatro, aprender a representar bem, mas de modo real. Erradamente, alguns podem pensar que seria uma forma de mentira. Visto de certo ângulo, sim. Mas quando se é um empreendedor da fé, nosso conceitos éticos devem estar numa esfera mais elevada. Eu tinha que pensar nas pessoas motivadas que se alegrariam por estar em contato (e contrato) com o divino, com os céus, e ficariam como que fora de si mesmas com a minha palavra.
Mentir e enganar não é tão difícil quanto possa parecer; com o tempo, mentimos tão bem que já não separamos o real do engano. As mentiras são ditas de modo tão intenso, tão convicto que conseguimos fazer a pessoa acreditar no que quisermos. O retorno do empreendimento compensa todo esforço e superficial dor na consciência.
Uma das lições mais difíceis foi o eterno dilema "pão e circo". Como empreendedores da fé, tínhamos que levar alimento espiritual pra essas pessoas, motivá-las, fornecer argumentos para seu sucesso ou insucesso de modo que continuassem atendendo aos nossos interesses e por mais que sofressem, enxergassem alegria no futuro e realimentassem sua esperança. Para efeitos deste teatro, chegamos (eu e minha abençoada equipe) a contratar pessoas para simularem milagres, bençãos, lições de vida, possessões, etc. Não sai tão caro assim contratar pessoas pra essa empreitada; o retorno é quase sempre garantido e muito maior que o investimento. O cuidado que se deve tomar é tê-las sob alguma forma de vigilância e silêncio. Nada que um bom dinheiro e algumas "dóceis" advertências não resolvam.
Estranhamente, eu também comecei a sentir forças sobrenaturais que me ajudavam no pão e no circo. Os meus mestres contavam com isso. Tudo colabora ao nosso favor. Essas forças residem conosco no meio dos nossos templos e atendem aos nossos pedidos. Eles respondnem pelo nome que os chamarmos. Mentes mais petrificadas poderiam pensar que são demônios. Aprendemos que os demônios fazem parte do nosso ofício e que são forças que podemos usar como qualquer outra
Então, primeiramente dávamos o pão: palavra da bíblia, histórias reais, exemplos próximos de nossa realidade, testemunhos. Não imaginam como as pessoas gostam de testemunhar quando participam. Elas têm que se sentir inseridas, fazer parte e mostrar pras outras pessoas que também alcançaram o contato com o sagrado. E nós, como empreendedores, temos que armar o discurso de tal forma que elas se sintam culpadas por não atingirem os objetivos de que falamos.
Na prática, se se falar em vassoura na bíblia, fazemos perguntas: E você como tem varrido sua vida? O versículo escolhido também pode servir como gancho para projetarmos objetos ungidos e novos rituais. Por exemplo, se o versículo escolhido tiver a palavra vassoura, encomendamos objetos pequenos em forma de vassoura, designamos pessoas para abençoá-las. Só o fato de passar pelas nossas mãos já é uma forma de benção, visto que eles nos vêem como pessoas capazes de abençoar. O ritual pode consistir no ato do impastor passar a vassoura sobre o corpo da pessoa varrendo toda maldição, castigo, macumba, todo diabo que tiver no couro dela. Claro que com muito teatro, afinal, pra isso fomos treinados. Aí a gente grita, esperneia, fala com o Satanás, se preciso, com autoridade sobre ele. Como disse, os entes malignos que, para nós são forças estranhas, costumam nos ajudar na encenação.
Se o versículo falar sobre comida, a gente monta uma mesa com comidas abençoadas, derrama vinho, suco, feijão na cabeça das pessoas pra nunca faltar comida na vida delas. Por aí vai. Tudo depende da nossa imaginação, do discurso convincente, do teatro, etc. Tudo tem que estar em harmonia. E isto também faz parte do circo.
O circo é a parte mais divertida pra nós os empreendores da fé. Ele representa a diversão, o espetáculo, a força que prenderia de modo mais intenso a atenção, a admiração e colocaria o divino em ação, através de movimentos, palavras, acontecimentos dinâmicos e bem coordenados.
Uma das grandes alavancas do circo e que tem se intensificado entre nós os empreendedores é a unção. Esse foi um dos módulos mais intensos e surpreendentes do curso de fundação e administração de igrejas e religiões.
A unção, pra ser bem direta, é a uma ação que evidencia o poder do divino. Toda unção tem que ser visível, tem que ser diferente. Quando mais novidade tivermos melhor. A platéia dos fiéis das nossas, vamos dizer, igrejas, amam uma novidade. Ora, se ficarem em frente a uma televisão vão querer sempre ver os mesmos filmes? Precisamos de novidades sempre.
Para se projetar uma unção, a gente tem que pegar aspectos do dia a dia que estão em evidência. Assim, como cresce uma maior consciência ecológica, inventamos várias unções que lembram animais. Recentemente, numa cidade do interior, inventei na hora a unção do avião a jato. Sai rapidamente voando no meio do palco e imitando o som de um avião a jato. Fui parar em cima das pessoas. Só tive uma duas costelas quebradas, mas deu pra disfarçar a dor. A platéia foi ao delírio. Na mesma hora, comecei a pregar sobre os vôos que damos em nossa vida. Daí falei nos vôos rasantes, nas alturas perigosas. Eu tinha lido algo sobre estar debaixo das asas, etc. E perguntei: pra onde tem voado o seu dinheiro? Por segurança, o nome dinheiro nunca deve vir no início do discurso; com experiência a gente sempre dá um jeito de interligar tudo isso. O dinheiro vôou pros nossos sacos. Chorei de alegria por ver os frutos do meu curso.
Outra unção que inventei com muito sucesso foi a da Torre de Pizza, eu a usava para dizer as pessoas que a vida delas tava meio que despencando, caindo pro lado, iria demorar a cair, mas era preciso consertar.
A unção do polvo era a que eu mais gostava, eu imitava um polvo me agarrando a uma pessoa, ficava com as mãos e pés pra cima no chão como se tivesse muitos tentáculos como um polvo, daí eu me levantava e ia abraçar alguém como se fosse um polvo e o envolvia. Falava coisas sem sentido e mandava a pessoa cuspir a água preta de dentro dela.
Minha maior alegria é hoje ser dona de tudo que a minha patroa tinha, inclusive me casei com seu marido. Ela viu a mudança financeira da minha vida e quis experimentar algo diferente. Eu a convenci de que tudo o que ela tinha era amaldiçoado, pois ela era ligada a feitiços, etc., a coisas amaldiçoadas e deveria se desfazer de tudo pra começar uma nova vida e ter dez vezes mais do que ela tinha. Em uma semana ela já tava morando embaixo da ponte, e, como consolo, já contando os dólares que lhe fiz enxergar na sua vida. Prometi parte dos meus lucros ao seu marido se ele casasse comigo, afinal ele era jovem e falava bem, poderia ser útil também pra mim.
Faça esse curso, é gratuito. Futuramente, você só vai contribuir com dez por cento de tudo que você arrecadar com seu novo empreendimento.

Meu objetivo não é ofender a fé de ninguém. Respeito toda manifestação de fé. DE FÉ, repito. Foi só uma idéia de texto que me veio à cabeça. Afinal, isto é um blog pessoal.

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