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Minha primeira falha

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eu não ia falar sobre falhas, mas já que me veio à mente, não pude evitar.

Falha
- esse é o mais nobre pilar do humor humano, na minha opinião. Na internet, os vídeos mais procurados são pegadinhas, acidentes, catástrofes, erros de jornalistas, erros de atores.
Os grandes livros da humanidade sempre descortinaram as falhas do carácter humano, duelos éticos, contradições de toda ordem.
O programa Vídeo Show que o diga. No ar há vários anos, um dos seus quadros mais conhecidos procura explorar os erros de gravação dos famosos.
As pegadinhas são exploradas por vários países no Brasil e no mundo. Nelas há erros produzidos e erros reais.
As caricaturas exploram o que as pessoas têm de mais marcante na fisionomia, no corpo, nos seus costumes. Se for feita uma caricatura de Ronaldinho Fenômeno, tem que ser explorada sua obesidade e seus dentinhos. Por que? Porque muitas coisas que fogem aos padrões culturalmente estabelecidos são vistas como uma espécie de falha. Pode ser um gesto seu, seu modo de falar, de se vestir. A falha, nesse sentido, possui um forte poder de referencialização. Se alguém possui alguma deficiência física, ou sofreu algo injusto, catastrófico, aquela fatalmente será a principal referência à sua pessoa: "é uma mulher cega, que tem uma perna manca, que foi espancada semana passada. Conhece aquele cantor cuja mulher o traiu com o carteiro?".
Nos jornais e noticiários uma tônica que não pode faltar é o que há de errado na sociedade: exposição de problemas, acidentes, escândalos, fatos que choquem, que nos façam dizer: "Que mundo é esse?", "Eu pensei que já tivesse visto de tudo!", "Onde é que vamos parar?!", "Só faltava essa!", etc.
É curiosa a relação do leitor com o próprio veículo (jornal, revista, etc), pois o leitor procura também ficar bem atento aos erros cometidos pelas publicações: erros de informação, erro de português. Pode tudo estar certo, mas se for cometida uma falta.
Quando alguém é eticamente correto, cuja vida é marcada pelo equilíbrio, a primeira pergunta é: será que ele não tem nenhuma falha que possa ser explorada? Nenhumazinha!? Lembrem-se de Jesus, do quanto sempre tentavam encontrar uma falha nele, uma contradição em seus atos e palavras. Suas boas obras, seus milagres chegaram a ser conscientemente ignorados, apesar de todas as maravilhas que muitos falavam a seu respeito. Na sua condenação, um juiz tipicamente humano, Pôncio Pilatos, resolveu condená-lo, não vendo nele falha alguma, mas covardemente "lavando as mãos", quer dizer, se isentando de responsabilidade pelo seu injusto julgamento. Pior ainda!
Não podemos pensar que essa covardia foi só dele. Pensem nos funcionários que sofrem caladamente palavras cruéis, assédios e maus tratos, em desacordo com a legislação trabalhista e as leis constitucionais, por não verem outra opção de sustento financeiro. Eles lavam as mãos pra si mesmos. Pensem no quanto jornalistas se calam para ter seus empregos. A sociedade encarna bem essa hipocrisia. Muitos, em diferentes situações, lavam as mãos do que acham correto, principalmente quando se trata de outro ser humano.
Quando as conversas a respeito de alguém giram sempre sobre seus talentos, habilidades de relacionamento, comunicação, suas boas obras, sempre há muita curiosidade sobre suas eventuais falhas, dá uma vontade insaciável de saber, conhecer algum lado podre de sua vida. A própria bondade, a própria correção é vista como um mal: "ele é muito certinho pro meu gosto! Todo metido a santo!"
Não existe uma boa história sem um grande vilão. Pensem nas novelas, nos filmes sem os transgressores, sem os conflitos, sem os erros, sem as falhas de seus personagens. Nem que esse grande inimigo seja nosso próprio carácter.
Lidar com as nossas próprias falhas já é outro lado do humor: o humor que nos faz chorar, é o drama. Não é possível gostar de sua exposição, ela incomoda, dói, maltrata, indigna.
Dramático é também quando cometemos erros que machuquem outra pessoa, ainda que não saibamos. Podemos ter tido uma vida inteira de acertos, mas quando caímos em um errinho, aquele errinho pode pôr a perder anos de relacionamento, anos de respeito, de risadas, de alegria. Damos naturalmente muito mais importância aos erros do que aos acertos. Por isso, a bíblia enfatiza tanto a importância da compreensão, da tolerância, do perdão. E sabemos, (se alguém não sabe eu parabenizo) como pode ser difícil perdoar o outro.
As celebridades mais falhas, mais erráticas, constantemente geram muito ibope, muita discussão e atiçam a curiosidade. A mente rapidamente se movimenta para saber com riqueza de detalhes, o que certo cantor, músico, político cometeu de errado, assustador, escandaloso em certo instante.
Então com que fazem graça os comediantes, os palhaços da mídia (não estou usando o termo palhaço com sentido pejorativo)? Bem, não de modo universal, mas suas principais fontes de inspiração são os erros da sociedade, as encrencas, os micos, as mancadas, os foras que a vida dá, as contradições, as injustiças sociais, os loucos costumes humanos, os loucos vícios humanos, as loucas bondades humanas, etc.
(Jackson Angelo)

Agora, uma indicação de site: www.myfirstfail.com; first fail significa primeira falha, em inglês. É um site dedicado a explorar a primeira falha de alguém. Mas notadamente, ele publica fotografias que registram flagrantes de falhas (mancadas) cometidas por crianças. As fotos são enviadas pelos leitores do site.


3 comentários

  1. Viajei ao passado agora, vendo essas imagens... aprontei algumas travessuras parecidas com as que vi aqui... rsrs
    Amei as postagens. Bjos

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  2. oi faz tempao q visito seu blog e adoro tudo.. parabéns vc tem um talento nato ..
    me diz uam coisa pq vc n posta kits pra scrabook, mascaras, album essas coisas? boa tarde.

    ResponderExcluir
  3. Art'montagens, boa tarde. Obg por visitar meu blog.
    Não posto pq ñ me dá vontade.
    Abçs!

    ResponderExcluir

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