O Pavão - significado e montagem (texto; PNG)

domingo, 5 de julho de 2009


Para baixar a montagem clique na imagem acima.
PNG; 15X10 cm

Quando se fala em pavão, a primeira associação mental que se faz, geralmente, é de vaidade. No Brasil, por ser um animal muito mais notado pela utilização de suas penas como adornos no Carnaval, notadamente para dar um ar pomposo às fantasias, sua ligação se dá não só à vaidade, como à futilidade (observação minha).
Mas, lendo um dicionário de símbolo, percebe-se como em diferentes culturas seu simbolismo é variado e ligado a valores considerados mais nobres. Se bem que, pessoalmente, não acho a vaidade um peso desonroso, é natural, é humano, é histórico, faz parte de nossa essência. Pessoalmente, acho que deve ser evitado o extremismo, o apego doentio a alguma forma e intensidade de vaidade, que pode corromper, matar, deformar a face, o corpo e o carácter, e prejudicar os relacionamentos humanos.
Segundo o Dicionário de Símbolos de Cheevalier e Gheerbrant (2006, p. 693):
“O pavão é antes de tudo um símbolo solar; o que corresponde ao desdobramento de sua cauda em forma de roda.
Ele é o emblema da dinastia solar da Birmânia, A dança do pavão da Birmânia, a utilização do pavão na dança cambojana do trot, estão relacionadas com a seca provocada pelo Sol. A matança do pavão, corno a do cervo, é um apelo à chuva, à fertilização celeste, Kumara (Skanda), cuja montaria é o pavão (existe, particularmente, uma representação célebre em Angkor-Vat), se identifica com a energia solar. O pavão de Skanda é certamente um destruidor de serpentes (isto é, das ligações corporais, e também do tempo). Mas a identificação da serpente com o elemento água confirma o parentesco do pavão com o Sol, com o elemento fogo, o antitérmico da água. O pavão é também, além disso, no Bardo-Thodol, o trono de Buda Amitabha, ao qual correspondem a cor vermelha o elemento fogo.
É ainda nesse caso o símbolo da beleza e do poder de transmutação, pois a beleza de sua plumagem é supostamente produzida pela transmutação espontânea dos venenos que ele absorve ao destruir as serpentes. Sem dúvida, se trata aí, acima de tudo, de simbolismo da imortalidade. Interpretado assim na Índia, é um fato que o próprio Skanda transforma os venenos em bebida de imortalidade.
Nos Jataka budistas, o pavão é uma forma do Bodhisattva, sob a qual ele ensina a renúncia aos apegos mundanos. No mundo chinês, o pavão serve para exprimir os votos de paz e de prosperidade. Aí é também chamado de alcoviteiro, ao mesmo tempo porque é utilizado como chamariz e porque basta o seu olhar, dizem, fazer uma mulher conceber.
Na tribo maa do Vietnã do Sul, os homens se enfeitam com penas de pavão no cabelo: isso os identifica, sem dúvida, com o mundo dos pássaros; mas talvez signifique igualmente que estão relacionados ao simbolismo da irradiação solar. O pavão é, no Vietnã, um emblema de paz e de prosperidade (BELT, BENA, DAMS, DANA, DURV, EVAB, GOVM, KRAA, MALA, PORA)
Na tradição cristã, o pavão simboliza também a roda solar e, por esse fato, é um signo de imortalidade; sua cauda evoca o estrelado.
Notar-se-á que a iconografia ocidental representa às vezes os pavões bebendo no cálice eucarístico. No Oriente Médio, eles são representados de um e de outro lado da Árvore da Vida: símbolos da alma incorruptível e da dualidade psíquica do homem.
O pavão serve às vezes de montaria, ele dirige de maneira certeira seu cavaleiro. Chamado de animal de cem olhos, ele se torna o símbolo da beatitude eterna, da visão face a face de Deus pela alma.
Ele se encontra na escultura romana e no simbolismo funerário (CUMS).
Símbolo cósmico para o Islã: quando ele faz a roda, figura seja o universo, seja a lua cheia ou o sol no zênite.
Uma lenda sufista, provavelmente de origem persa, diz que Deus criou o Espírito sob a forma de pavão e lhe mostrou sua própria imagem no espelho da Essência divina. O pavão foi tomado de um temor respeitoso e deixou cair algumas gotas de suor, do qual todos os outros seres foram criados. O desdobramento da cauda do pavão simboliza o desdobramento cósmico do Espírito (BURD, 85).
Nas tradições esotéricas, o pavão é um símbolo de totalidade, na medida em que reúne todas as cores no leque de sua cauda aberta. Ele indica a identidade de natureza do conjunto das manifestações e sua fragilidade, visto que elas aparecem e desaparecem tão rapidamente quanto o pavão abre e fecha o seu leque.
Os iezides, originários do Curdistão, nos quais há que notar certas semelhanças com os monges sufistas e com os budistas, dão uma grande importância à força chamada Malik Taus, o Anga-Pavão, no qual se unem os contrários.”

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