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Esmaltização da sociedade (meu) e ATENTADO RACIALISTA (O GLOBO - 16/5/2009)

quinta-feira, 21 de maio de 2009


1 - Esmaltização da sociedade

O texto abaixo, publicado no Globo, não é fundamentalmente minha opinião. Acho que a inclusão social das pessoas que formam e mas não têm meios de se inserir na sociedade que trabalha, estuda e tem direitos sociais deveria se dar não por medidas que à força estabeleçam quotas. A quotização da sociedade é, noo meu ver, mais uma forma de excluir e incluir em grupos padronizados por quem? De acordo com que interesses? Com participação do povo no processo de sua própria classificação racial? Até o conceito de raça é preconceituoso e equivocado, porque somos uma única raça: a raça humana.
Fora que, existe muito preconceito contra os brancos também. Em minha cidade, quando alguém que não seja necessariamente branco, se refere a alguém branco diz: aquele branquelo/a, se estiver querendo depreciar ou tiver raiva dela. Se se referir a qualquer branco é normal dizer: é um cara bem branquinho, mas vá dizer com uma pessoa de cor negra: "é um negrinho".
Conheço negros que têm uma baixa estima terrível. Mas, essa quotização aparenta dar alguma esperança e solução improvisada, mas gera conceitos na cabeça da pessoa ainda massacrantes: "estou aqui por força da lei!"; "Eu só estou por força da lei!"; "Eu estou aqui por força da lei, não é por minha competência!".
Vamos descobrir qual é a cor "raça":
1 - Cor dos olhos - Consulte o manual de cor de olhos e veja qual melhor definição de carácter se encaixa a você;
2 - Cor da pele X emprego/educação? Eis a nossa tabela, escolha a cor que melhor corresponde a sua pele e veja que alternativas têm pra melhor se inserir no mercdo, nas escolas. Na dúvida, escolha a que melhor apresentar possiblidades de ascensão social;
3 - Cor da pele X você - você é e vai até onde sua pele permite. PENSE NISSO!
Quer dizer, toda problemática existente no Brasil em educação, saúde, moradia, emprego, salário, renda é fundamentalmente uma questão de cor. Resolva sua cor e seu problema tá resolvido.
De outro modo, notemos o lindo papel que os brancos ocupam:
Não existem brancos, asiáticos, pobres ou sem educação nem no Brasil e no mundo.
Todos os brancos são inteligentes e não precisam de quotas ou ajuda de ninguém pra ter ascensão social e se qualificar por seus próprios méritos.
Se você é branco, se anime, você é um vencedor, já está um passo à frente. Ore pelos negros, pelos que apresentam traços de negros, eles precisam de sua pena e ajuda.
O governo dos brancos não esqueceu dos seus filhos necessitados, principalmente dos negros, mulatos, e essa peãozada toda que pululam nas favelas e monturos.
Seja branco e esteja incluído.
(Jackson Angelo)


Agora, vamos ao texto:

ATENTADO RACIALISTA
O GLOBO
16/5/2009

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei de importância transcendental, capaz de levar o Brasil a viver a experiência do racismo como jamais se pensou que aconteceria num país cuja imagem se confunde com a miscigenação e o convívio, sem tensões raciais, entre milhões de pessoas de quase todas as origens possíveis — Américas, Europa, África e Ásia.
Pode ser que o fato de o Congresso estar mergulhado em grave crise de imagem sirva de cortina de fumaça para o que se passa na comissão especial criada na Câmara para discutir a proposta do Estatuto da Igualdade Racial, de iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), e já aprovada no Senado.
Nesta Casa, discutem-se as cotas raciais para o preenchimento de vagas nas universidades públicas. Mas é o estatuto que revela a dimensão e a profundidade do projeto político e de poder racialista, cujo objetivo é dividir a sociedade entre “brancos”, de um lado, e “negros” e “pardos”, de outro.
Aprovado o projeto, o Brasil naufragará num apartheid de estilo sul-africano. Aqui, porém, destinado a superar “desigualdades raciais” e a dar a “reparação” a supostas vítimas da igualdade.
As cotas no ensino são apenas uma pequena parte de uma grande construção política racialista.
Revogam-se afinidades sociais, sem relação com origem social e renda, e coloca-se em seu lugar o critério da cor da pele, num atentado contra o patrimônio cultural e social da nação.
O estatuto chega a determinar que filmes e programas de televisão tenham no mínimo 20% de atores e figurantes negros — como nas cotas nas universidades, não há qualquer preocupação com mérito e capacidade profissionais.
A mesma regra é estabelecida para peças de publicidade contratadas por estatais e órgãos públicos. A publicidade privada destinada à TV e a cinemas terá de obedecer à mesma cota. O projeto avança também no mercado de trabalho. Na contratação de servidores, negros terão tratamento especial, com o “incentivo à adoção de medidas similares em organizações privadas”.
Assim, as tensões raciais serão disseminadas também nos ambientes de trabalho, no setor público e nas empresas privadas.
Haverá, ainda, Ouvidorias Permanentes em Defesa da Igualdade Racial, um passo para o ministério público e polícias raciais. O país se encontra à beira de um pesadelo orwelliano. Coerente com todo este projeto — bem lembrou o sociólogo Demétrio Magnoli, em artigo no GLOBO —, faltará uma lei como a da Proteção do Sangue Germânico, da Alemanha de 1935.
Aquela criminalizava o casamento e o sexo entre arianos e judeus; esta proibirá o mesmo entre “brancos” e “negros/ pardos” brasileiros. É o que faltará para o serviço dos racialistas ser completado.

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