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Entrevista de Augusto Cury à Seleções (abr/2009)

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Como é bom ouvir Cury. A entrevista abaixo foi publicada pela Revista Seleções, na edição de abril de 2009. Achei que seria legal conhecer alguns detalhes do seu modo de pensar, ver o mundo e a si mesmo.


Com mais de 10 milhões de livros vendidos no Brasil e no exterior, o escritor brasileiro Augusto Cury é um fenômeno editorial. O autor, que tem formação em psiquiatria, escreve ficção e não ficção sobre temas como qualidade de vida, desenvolvimento da inteligência e controle emocional. Cury tem 50 anos e vive com a mulher e três filhas num sítio em Colina, município com 16 mil habitantes no norte de São Paulo. Nesse ambiente bucólico, distante da realidade das grandes cidades, da qual é crítico, Cury escreveu a maior parte de seus 22 livros. Avesso a entrevistas, ele aceitou conversar com Seleções por telefone depois de dois meses de tentativas.
P. Por que o senhor não gosta de dar entrevistas?
R. O culto à celebridade é o sintoma de uma sociedade doente. Raramente dou entrevistas, embora alguns órgãos de imprensa me considerem o autor brasileiro mais lido no país atualmente. Não sou melhor do que ninguém. Não gosto de dar entrevistas porque sou apenas um caminhante no teatro do tempo, em busca de mim mesmo. Prefiro o anonimato.
P. O senhor faz críticas à sociedade moderna. Em seus livros, chega a dizer que vivemos num grande hospício e que ser anormal é melhor do que ser normal. Por quê?
R. No livro O vendedor de sonhos, um dos romances mais lidos hoje, eu descrevo que as sociedades modernas se converteram num manicômio global, onde o normal é ser irritadiço, sofrer por antecipação, ter emoção flutuante e reações explosivas diante de pequenas contrariedades. Ser normal é necessitar de grandes estímulos, como roupas de grife, festas e aplausos sociais, para ter migalhas de prazer. O homem anormal abraça árvores, conversa com flores, faz das pequenas coisas Um espetáculo aos olhos. Nesse sentido, os anormais são minoria e são 'privilegiados, pois fazem da própria história um espetáculo único e imperdível.
P. Em dois de seus romances o senhor apresenta personagens maltrapilhos e mendigos como sábios e equilibrados ... R. Essas pessoas estão fora do teatro social e olham de fora as loucuras que vivenciamos e que consideramos normais. Então, uso um mendigo, para, na verdade, usar o olhar de fora para criticar o sistema social das pes-soas estressadas e tensas que não percebem que a sociedade não estimula a inteligência. O futuro da humanidade e O vendedor de sonhos são livros críticos do sistema e fazem sucesso! As pessoas parecem entender que estão adoecendo coletivamente.
P. O senhor costuma dizer que as mulheres têm mais chance de desenvolver doenças emocionais que os homens. O sexo feminino é mais frágil?
R. Não. Aliás, para mim elas representam o sexo forte. Mas, por que, então, desenvolvem mais transtornos que os homens, de acordo com as estatísticas? Porque o soldado que está no front é mais facilmente alvejado. As mulheres estão no front dos estímulos estressantes mais agudos. Elas cuidam dos filhos e têm de trabalhar fora de casa. São mais éticas, solidárias e se entregam mais intensamente às relações sociais. Por isso se expõem a uma sobrecarga psíquica maior do que os homens e desenvolvem mais transtornos emocionais.
P. Como o senhor vê o uso de medicamentos no tratamento de males como depressão e ansiedade?
R. Medicamentos são importantes, mas há necessidade de estimularmos os pacientes a conhecer as causas históricas do processo de formação da personalidade que levaram ao desenvolvimento das doenças. É preciso conduzirmos os pacientes a sair da plateia e entrar no palco de suas mentes, gerenciando pensamentos, ideias angustiantes, preocupações e emoções mórbidas. Essas técnicas psicológicas complementam o tratamento farmacológico quando necessário.
A psicologia e a psiquiatria investiram suas pesquisas no tratamento de transtornos psíquicos, mas dedicaram-se pouco ao desenvolvimento
de mecanismos e ferramentas de prevenção dos transtornos.
P. O senhor é psiquiatra, mas não escreve para o público especializado. Ao contrário, suas obras fazem sucesso entre o público leigo. Foi proposital? R.-Durante mais de vinte anos, tive o privilégio de desenvolver uma das poucas teorias mundiais que estuda o processo de formação de pensamentos. Meus livros divulgam essa teoria. Preferi usar uma linguagem acessível para que o maior número de pessoas tivesse condições de entendê-Ia. Isso aconteceu depois que escrevi Inteligência multifocal. Muitos têm dificuldade em lê-lo. Após perceber que apenas algumas pessoas estavam usando minha teoria em trabalhos de mestrado e doutorado, percebi que estava distante da sociedade em geral. Então, procurei democratizar o conhecimento.
P. Em O futuro da humanidade, o senhor chama Jesus Cristo de "Mestre da Emoção".
R. Eu o chamo de Mestre da Emoção porque, pelas adversidades que enfrentou, ele teve todos os motivos para desenvolver depressão, mas foi feliz e tranquilo como nenhum outro. Quando agredido, ele sabia filtrar os estímulos estressantes para proteger a emoção. Por exemplo, no momento em que Judas o traiu, ele abriu as janelas da mente e olhou para seu traidor. Em vez de golpeá-lo com agressividade, golpeou com solidariedade e generosidade. Nunca na história uma pessoa traída tratou com tanta dignidade o traidor.
P. O senhor tem religião?
R. Eu fui ateu. Como pesquiso as fronteiras da ciência, para mim, Deus era fruto do espetáculo das ideias. Estudando a personalidade de Jesus Cristo, sob o ângulo da psicologia e da sociologia, descobri que ele é o homem mais famoso da História, mas, ao mesmo tempo, o menos conhecido em seu psiquismo. Estudei muito sobre ele e escrevi a coleção Análise da inteligência de Cristo, que aborda os mecanismos de proteção emocional, o gerenciamento de pensamentos, e a capacidade de educar jovens. Depois, passei a crer em Deus.
P. Como encara as comparações com o escritor Paulo Coelho?
R. Eu divulgo a psicologia e outras ciências humanas. Conheço pouco o trabalho de Paulo Coelho. Tenho respeito por ele, como um autor extremamente lido lá fora, mas não falo sobre o sobrenatural. Mesmo quando falo de Jesus.
P. Nas livrarias, seus livros ora aparecem nas estantes de psicologia, ora nas de autoajuda ou de literatura. Como classifica suas obras?
R. É muito prazeroso saber que há essa confusão. Porque do caos ocorre o nascimento da criatividade e das novas ideias. Se as pessoas me rotulassem numa área, eu ficaria infeliz. Se tivesse de classificar meus livros, diria que divulgam a ciência e democratizam o conhecimento.
P. Qual será o próximo lançamento? R. Meu próximo livro, que sai em maio, é a continuação de O vendedor de sonhos e vai se chamar A revolução dos anônimos. Nele, evidencio que os anônimos têm, no teatro social, uma grandeza tão ou mais admirável que os políticos ou os atores de Hollywood.

Um comentário

  1. Sou fã incondicional do Escritor Augusto Cury!
    seus pensamentos se fosse levado em consideração por nós, seriamos mentalmente mais saudaveis! não viviamos tão angustiados na busca pelo " não sei o que" muito trabalho, muita luta e sempre faltando algo!
    Dr. Augusto, obrigado por estar conosco na Anhanguera Uniderp, nunca assitia palestras as sextas feiras, mais estou junto com os academicos assistindo as palestras qaundo é vc o palestrante!
    Sueli gabiato
    Gestora do Pólo de Icaraima-Pr;

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