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O MENESTREL, APRENDI QUE, MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA, ETC. Afinal, qual é a verdade?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

É progressivamente confuso e caótico o que vou tentar explicar. Já li várias explicações a respeito (esse clima de charada é proposital), mas não cheguei a um consenso. Mesmo os consensos existentes variam. Espero poder dar alguma contribuição, pelo menos, para mim mesmo já dei. Sei que adquiri mais dúvidas do que certezas. Porém, dúvidas mais sólidas e justificáveis. Tudo o que escreverei de concreto (??) é baseado em informações coletadas na própria internet. Sim, nesta teia que com imenso poder de hiper-reprodutibilidade e hiper-acessibilidade escavouca verdades e mitos, imortaliza idiotas em heróis e converte, metamorfoseia mentiras em verdades incontestáveis. O banquete é vastíssimo. Distinguir os alimentos pútridos dos sadios é proporcionalmente difícil. Podemos nos tornar escatófagos.
A questão é um texto atribuído (por enquanto) a três escritores : William Shakespeare, Veronica Shoffstall e Judith Evans. Sei que até este momento são apenas estes três. Se, mais tarde, aparecerem mais versões do poema, mais indicações de autores, terei alguma forma de certeza que não são.
Até aqui não sei exatamente quem é a autora, contudo, autor não é. Não é William Shakespeare, como aponta o site www.pensador.info, na página http://www.pensador.info/autor/William_Shakespeare/9/.
Nessa mesma página, há umas quatro versões de uma versão adulterada de um poema publicamente intitulado ou "Comes the dawn" ou "After a while": "Um dia a gente aprende que...", "Depois de algum tempo", "O Menestrel", "Aprendendo a ser forte":
" Aprender

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
E que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
E presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas
Com a cabeça erguida e olhos adiante,
Com a graça de um adulto
E não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhã
É incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende
Que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
Algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
Ela vai feri-lo de vez em quando E você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
E apenas segundos para destruí-la,
E que você pode fazer coisas em um instante,
Das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
Mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família
Que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
Se compreendemos que os amigos mudam,
Percebe que seu melhor amigo e você
Podem fazer qualquer coisa, ou nada,
E terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas
Com quem você mais se importa na vida
São tomadas de você muito depressa,
Por isso sempre devemos deixar
As pessoas que amamos com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
Têm influência sobre nós,
Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender Que não se deve comparar com os outros,
Mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
Para se tornar a pessoa que quer ser,
E que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou,
Mas onde está indo.
Mas se você não sabe para onde está indo,
Qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
Ou eles o controlarão,
E que ser flexível não significa
Ser fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil
Seja um situação, Sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
Que fizeram o que era necessário fazer,
Enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
A pessoas que você espera que o chute quando você cai
É uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
Com os tipos de experiência que se teve
E o que você aprendeu com elas
Do que com quantos aniversários você já celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você
Do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança
Que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva
Tem o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama
Do jeito que você quer que ame,
Não significa que esse alguém
Não o ame com tudo o que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem
Como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente
Ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que aprender
A perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
Você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa
Em quantos pedaços seu coração foi partido,
Mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo
Que possa voltar para trás,
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte,
E que pode ir muito mais longe
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
E que você tem valor diante da vida!
Nossa dádivas são traidoras
E nos fazem perder
O bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar"
O mesmo site "pensador" atribui a autoria do mesmo poema (com preservação do texto que pode ser o original) a Veronica Shoffstall na página:
http://www.pensador.info/autor/Veronica_Shoffstall/
Esse texto e outras citações atribuídas a Shakespeare, as discrepâncias de informações dão uma idéia do nível de compromisso que este site tem com a veracidade de informações. O número de usuários registrados é alto e ele se destaca na primeira página do Google quando se realiza a busca por 'shakespeare texto', 'textos shakespare'. O nome do site chega a ser irônico: pensador. Esse tipo de texto é chamado apócrifo. Ou até de texto-frankstein, de acordo com o site:
http://www.autordesconhecido.blogger.com.br/2005_11_01_archive.html.
Pelo menos, no site "pensador" o nome do autor está grafado corretamente. Há alguns sites que registram Shoftall, e até livros, como "Tempestade de Sonhos", de Tania Castelliano (sem acento), publicado pela editora Letras Expressões, em 1999. Na página 59, o texto é citado sem título como "versos de Veronica A. Shoftall":
"Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma,

E você aprende que amar não significa apoiar-se
e que companhia nem sempre quer dizer segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas
com a cabeça erguida e olhos adiante,
com a graça de um adulto, e não com a
tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas
no hoje porque o terreno do amanhã é incerto
demais para os planos, e o futuro tem o
costume de cair em meio vôo.

Depois de um tempo, você aprende que até o sol
queima se você ficar exposto por muito tempo.

Portanto, planta seu jardim e enfeite sua alma,
em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E aprenda que você realmente pode suportar....
que realmente é forte.

E que realmente tem valor."
O sentido do texto original se perdeu em alguns versos. O texto original, conforme afirma Shoffstall, em seu próprio site (http://web.archive.org/web/20020409135851/www.geocities.com/SoHo/8184/afterawh.html),
é o seguinte:

"After a While"

After a while you learn


the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn...

© 1971 Veronica A. Shoffstall"

É possível perceber no poema uma retratação de experiências de vida variadas, principalmente amorosas. Há erros grosseiros nesta tradução, com adulteração do texto original. Não se trata de "com a graça de um adulto" e, sim, "com a graça de mulher". Os últimos versos se perderam quase totalmente.
O site www.autordesconhecido.blogger.com.br é um referencial para se conhecer a verdadeira autoria de textos publicados na internet. Ele explica a falsa autoria do referido texto atribuído a Shakespeare e atribui a Veronica A. Shoffstall sua autoria, sem mencionar Judith Evans apontada em vários sites de internet como possível autora do texto.
Este site define o texto seguinte como "a verdadeira tradução" (não é "uma", é "a") de "After a while":
"A verdadeira tradução:

Depois de um tempo

Veronica Shoffstall

Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma criança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende."
Na verdade, o que notei é que Judith sempre aparece reivindicando para si mesma a autoria desse texto. Encontrei até um site que em contatos o webmaster através de troca de e-mails com Judith Evans constatou erro crasso de língua inglesa. Contudo, por não haver um copyright legitimado, prefere deixar o autor como desconhecido ou não-comprovado.
Lendo o texto definido como a verdadeira tradução, é possível entender que é uma tradução do texto original, não quer dizer que seja uma tradução oficializada por ninguém. É uma tradução que deixa a desejar, pois não proporciona uma leitura agradável, com eufonia e o lirismo exigido pelo poema (onde vi possibilidade de uma "plástica" deixei em negrito). Acho, na minha modesta opinião, que não pode ser adotado como tradução para se pôr em livros, talvez em alguns sites. A tradução apresentada por Tania Castelliano é foneticamente agradável, apesar das falhas.
Como Judith Evans entrou neste cenário? Eu não sei!!! Shoffstall foi a primeira autora mencionada como a original. Judith Evans apareceu depois. Na página: http://www.emule.com/2poetry/phorum/read.php?4,27156,40760, ela própria aparece para debater sobre a verdadeira autoria do texto "Comes the dawn" (como é erroneamente chamado por alguns) e admite ser a autora verdadeira:

"Re: Does anyone know the author of Comes The Dawn?
Posted by: Judith Evans (---.154.1.189.Dial1.Atlanta1.Level3.net)
Date: September 09, 2004 12:48PM

ACTUALLY.... if you Google "Comes the Dawn" you get many listing of anonymous, some with names and the most prominent name will be Veronica Shofftall. It will also say that she copyrighted it in 1971. However, she claimsit was first published in my college yearbook 1972, a book called The Ivy, from Mohawk Valley Community College in Utica, NY.” She later officially copyrighted it.

The version of the poem to which she may, or may not, have legal copyright, is not the original version. And it was CALLED "Comes the Dawn" because the last line was, before she edited it, ".... with every good-bye comes the dawn."

The poem actually went like this:

Comes The Dawn

After a while, you learn the subtle difference
between holding a hand and chaining a soul.
And you learn that loving doesn’t mean leaning
and company isn’t security.
(Kisses aren’t contracts and presents aren’t promises.)

After a while you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes open,
with the grace of a woman, not the grief of a child.
And you learn to build your roads on today
because tomorrow’s ground is too uncertain
and the inevitable has a way of crumbling in mid-flight.

After a while you learn that even sunshine burns
if you stand too long in one place.

So, you plant your own garden and decorate your own soul
instead of waiting for someone else to bring you flowers.
And you learn you really can endure,
that you really do have worth.
You learn that with every good-bye comes the dawn.

Hence, the title. Veronica Shofftall may have copyrighted *her rendition* of this poem, but she didn't copyright the original version. The original has been out in the public domain for some 30 years. It CAN'T be copy righted now. It's public and has been long before the internet became a common, household entity. I know. I wrote it and made the mistake or sharing it with a large group of people, well over 30, because I made 30 copies of it and ran out long before people stopped asking me for it.

So, no matter how much her name is on her version, which belongs to her, this is the original."

No decorrer do debate, Judith Evans afirma que este não é seu principal texto e que basta uma análise do seu estilo de escrever para identificá-la como a verdadeira autora. Judith Evans não acertou o nome de Shoffstall, só escreveu Shoftall. Acho muito revelador uma escritora ostentar falta de atenção e respeito com um nome próprio, principalmente em um ambiente digitalmente público.
Há outra versão do texto em língua inglesa:

"After a while,
you learn the subtle differencebetween holding a hand
and chaining a soul.
And you learn that loving doesn’t mean leaning
That kisses aren’t contractsand presents aren’t promises.

After a while you learn that even sunshine burns
if you get too much.
So you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone to bring you flowers.

You learn to build your roads on today
because tomorrow’s ground is uncertain
and futures have a way of crumbling in mid-flight.
And so you you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes open,
with the grace of a woman,
not the grief of a child.

And you learn you really can endure
that you really are strongthat you really do have worth.
And you learn, with every painful experience, you learn.
With every good-bye comes the dawn."
Uma representação teatral do (desconhecido pra mim) ator Moacir Reis foi gravada e disponibilizada no Youtube, em que ele interpreta o texto-frankstein, desta vez intitulado "O Menestrel". Na edição do vídeo, o texto também é atribuído a Shakespeare. Os 47 comentários do vídeo demonstram uma avaliação muito positiva por parte dos internautas. Um deles chegou a dizer que não importa a autoria, mas o que o texto quer dizer.
No Orkut há uma comunidade chamada "Afinal, quem é o autor?", dedicada a resolver questões de autoria de texto. Eu a considero fundamental. Mesmo nesta "comu" não consegui saber com exatidão se a autora é Judith ou Veronica. Contudo, é importante ressaltar que seus participantes "apostam" mais em Veronica.
Várias vezes citei indevidamente pensamentos e frases como se fossem de personalidades como Albert Einstein, Karr, Chaplin, entre outros. Hoje, tenho nojo deste passado (faz só dois dias) em que não pesquisava e aceitava esse tipo de informação como verdadeira, apesar de ser muito óbvio que os textos não pertenciam aos autores descritos.

 

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