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O CONTO DAS ROSAS

terça-feira, 12 de junho de 2007


SEM NOME, SEM DATA, SEM PRESSA
Ano de 2000/Atualização 2007.

Há um instante em que até a luz não ilumina
E a mão do amigo em nada nos sustém
Em que a força e o poder da dor é maior do que qualquer alucinógeno
As primeiras perguntas são muito mais fortes do que toda as respostas
E prosseguindo sem resposta, as questões se multiplicam
E com elas as dores se avolumam, se agigantam e aterrorizam
Nenhum consolo afasta a tristeza densa e a angústia
Um instante impossível de ser nomeado
Andei nos meus tropeços e caí muitas vezes
Um instante destrutivo como o explodir do Cosmos em um só ponto
Por conta da fragilidade do ponto, não da grandeza do ser que explode
Eu me sinto este ponto
Sem importância, minúsculo, retirado, distante, um simples ponto
Que só tem alguma vida junto de bilhares incontáveis de outros pontos
Quando se forma a areia, só como multidão minha existência é compreendida
E quando a areia vira lama não posso reconhecer que estou fisicamente vivo
Cada segundo é estar sozinho, ilhado e frustrado
O outro dia assusta: renovo de uma visão má, um pesadelo atormentador
O outro dia é uma um andar em círculos no tempo
Acordar é ter em mente que vou nadar contra a corrente
O vento seco, qual cão de guarda do exército inimigo, já bate à porta
Ao sair, ele me já me empurra pra trás
O vento da adversidade
Só me deixaram um metro quadrado de terra
E alguns trapos pra cobrir minha nudez
Servi de alegria quando andava meio que bêbado
Era o meu cansaço e não embriaguez
Neste instante estou preso
E ninguém vê as correntes, porque são a minha própria situação
Um instante em que a existência se cala ainda mais
E o que ela ainda pode representar?
Contudo, ainda tenho um jardim bem pequenino
E com minhas lágrimas, carinho e cuidado
Ainda rego algumas plantinhas
Há alguns que passam e pisam minhas flores,
Dão murros, coices, jogam pedras, mas não matam minhas sementes

Quando, por fim, nasceram as primeiras rosas
Eu chorei novamente, mas de alegria
Eu senti seu perfume, senti a vida de suas folhas
E pude mostrar que cultivar flores é melhor
Eu tinha o metro quadrado mais lindo de toda cidade
Generosas, as rosas nasciam cada vez mais lindas
Eram a alegria agora de quem passava
Comecei a vendê-las e elas ganhavam fama

Por ganância, tornaram a derrubar o meu roseiral
E covardemente me expulsaram do meu metro quadrado
Tentaram plantar novas rosas
Mas, elas morreram uma a uma
Assim, fracassaram os meus ladrões
Incansável, tornei a plantar esperança
Pois muitos sentiram falta das minhas rosas
O meu metro me foi devolvido pela comunidade
Tornei a respirar fundo
Consegui extrair forças do fundo da alma
Mesmo antevendo como longa e árdua a estrada
Não recusei o trabalho e a paciência
E agora muitos esperavam ansiosos pelas rosas

O perfume já preenchia o ar da cidade
E seus habitantes sentiram que o perfume voltou
Agora, já não sinto tão forte a solidão
Porque através das minhas rosas fiz boas amizades
Sabe por quê não destruíram minhas rosas?
Porque elas não estavam em minhas mãos
Estavam dentro do meu coração
Agora se espalham com o vento
Em todas as direções
Sinto, finalmente, o vento ao meu favor

Um instante em que olho das montanhas
E contemplo minhas plantações
Iluminadas pela fidelidade do sol
 

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