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Nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos!

terça-feira, 28 de março de 2006

"Nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos", assim se refere a Bíblia profeticamente a Jesus em Isaías 53:01. Quem se interessa pelo feio? O feio é como um ruído perturbador que ainda teima em sobreviver e reivindicar direitos. E, deste modo, rendo minha humilde homenagem, curvando minha cabeça, a estas três personagens da vida real. A do meio é minha mãe, dona Maria José, do lado direito dona Terezinha, e do lado esquerdo dona Geralda. A do meio, minha mãe, saiu de casa ainda menor, tendo como bagagem um saco plástico, o vestido sobre a pele, um chinela rústico e por dentro uma vontade inabalável de sair de sua situação de pobreza. E conseguiu! Lembro-me que ela chegou a ser vaiada por seus próprios vizinhos porque seu único vestidinho tinha desenhos de cajuzinhos e castanhas. Eles chegaram até a jogar pedras e sair correndo atrás dela dizendo: vamos derrubar os cajus! Minha mãe correu desesperada para escapar das pedradas. Em certa hora ela perguntou a Deus: "Senhor, tu estás vendo?"Minha mãe até chora quando se recorda disto. Hoje, possui uma humilde lojinha de roupas artesanais e chegou a vestir seus próprios malfeitores. Dona Geralda, por sua vez, vive louvando e cantando a Deus, está sempre alegre e já enfrentou fome, sede, desemprego, como muitos brasileiros e milhões pelo mundo. Não é este um grande feito? E não decaiu de sua esperança, antes está firme em seus ideais. Esbanja saúde, quando o destino lhe deu todos os motivos para não tê-la. Em suas mãos e pés há marcas de sofrimento e trabalho, porém por dentro continua jovem e encara a realidade de frente. Já Dona Terezinha continua enfrentando muitos obstáculos financeiros, mas recentemente e com muito esforço conseguiu realizar o sonho de ter sua casa própria. Tristeza, desespero? Não! Nem pensar, navegar é preciso. E vivem normalmente, sorrindo e chorando, envelhecendo e se renovando. Nenhuma beleza se vê nelas para que sejam desejáveis em Caras (uma revista famosa no Brasil por ostentar o luxo, o glamour a felicidade dos famosos e ricos), no Jornal Nacional, para serem temas de filmes hollywoodianos. Nenhum beleza para que esta foto desperte algum interesse em alguém. Elas nunca se venderam por qualquer coisa nem se prostituíram nem mendigaram, sempre acreditaram no trabalho, no caminho mais longo e mais difícil. Dignidade. Não são belas como a Barbie, um estereótipo americano de beleza, de mulher, se é que aquilo é mulher ou ser humano. Não têm medidas de miss, de modelo e todas estão fora dos padrões mais básicos de vestuário. Em seu favor sei que são mulheres reais, com problemas reais, soluções reais e com vidas reais, que não têm necessidade de esconder escândalos e mentiras. Tudo muito simples, muito claro, muito verdadeiro. Eu curvo minha cabeça respeitosamente e com muita alegria.
 

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