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PULAR (Boundin, PIXAR)

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Recentemente, assisti a uma animação da Pixar, de quase 5 minutos, que até agora me faz pensar. Trata-se de Boundin (por Bud Luckey), que no Brasil recebeu o nome "Pular", cujo lançamento ocorreu em 2003, antes do lançamento de "Os Incríveis", tendo sido nomeado ao Oscar de melhor curta-metragem animado, ao lado de Destino (da Walt Disney), Gone Nutty (produzido pela Blue Sky Studios), Harvie Krumpet (da Melodrama Pictures) que foi o vencedor na categoria e Nibbles (da Acme Filmworks) .
O mercado de curtas no Brasil, pelo menos onde moro é inexistente. Resta apenas o consolo dos arquivos compartilhados na Internet ou dos que acompanham produções maiores.
A estória é bem curtinha, mas tem tantos caminhos e modos de interpretá-la. Por isto, eu a considero, na minha humilde opinião, genial. Ela é toda cantada, e a tradução para o português do Brasil ficou perfeita. Embora pareça até infantil, na verdade, toda sua feitura é infantil, ela trabalha com alguns símbolos do quotidiano que ainda são tabus nas conversações com as pessoas, digamos, na fase de infância e adolescência: a questão da identidade. Quero deixar bem claro que tenho uma personalidade bem definida e não possuo qualquer tipo de frustração quanto à minha pessoa. O que escrevo é apenas mera e comum inspiração. Muitas vezes, apenas tento entrar no ego das pessoas que me cercam, sem ao menos conhecê-las direito e tento imaginar o que elas poderiam imaginar e busco até sentir o que elas estariam sentindo. Por isto, é possível compreender que quase sempre não estou falando de mim, e muitas vezes até estou. Por exemplo, quando falei no monstro eu, fiz referências a questões de conflitos internos, mas é possível extrair "X" interpretações, pra ser resumido (uma dificuldade que tenho). Bem...E a questão da identidade pra mim é extremamente atraente, pois as pessoas parecem ter, de modo geral, uma tremenda dificuldade em se auto-definirem, se auto-criticarem, se conscientizarem que podem e até devem se auto-aperfeiçoar, que mudanças são possíveis (acredito na mudança). Eu me critico saudavelmente toda hora, sem terrorismo, pois me amo.
Em "Pular, primeiro, aparece um cordeiro (embora muitos digam que é uma ovelha, isto não tem importância, porque é um sujeito universal, mas é cordeiro mesmo, masculino de ovelha) Ele é orgulhoso do seu estilo de vida e, principalmente, de sua beleza, porque é cheio de uma branca lã, por isto, ele sorri, se alegra, e todos ficam alegres pela alegria dele, pelo modo como ele aprecia a vida. Mas, como todo cordeiro, chega o dia de dar adeus às lãs. Este era o símbolo de sua beleza, de sua alegria e representava a "LEVEZA" do seu ser. Uma vez perdido este símbolo, que também significava sua aceitação diante dos seus "semelhantes", no caso dele em particular, as diferentes espécies de animais, ele se viu diante de uma perda irreparável, o que ele mais amava foi roubado, tomado. Restam-lhe o desespero e o medo, a tristeza. Seus vizinhos que tanto se animavam com ele não lhe deram qualquer consolo. Puxa! Logo eles que dançavam com ele, que se alegravam com ele, não poderiam agora compartilhar a tristeza? Não tinham uma palavra, um agasalho pra o frio de sua vergonha? Não. Fizeram pior, riram de sua pele sem cobertura, exposta a uma nudez indesejável. Solidão do pior tipo: aquela que descobrimos que sempre a temos, até que esta nudez seja seja exposta. A lã, ao meu ver, pode representar aquilo que está por trás da imagem que passamos ao mundo a fim de vivermos bem e em paz. Não digo que exista alguma forma de hipocrisia, mas um esforço em ser útil, em ser agradável, ou até em não ser tão desagradável quanto a situação pode impor, em dizer algo sem humilhar ou de modo a não perder a proximidade de alguém, não por querer ser amigo delas, mas por vê-las como seres humanos, sensíveis, etc, etc. A branca lã pode significar também a pureza e ingenuidade daquele cordeiro.
É possível que exista um dia ou momento em que alguém tenha vontade de mandar tudo ou todos pro inferno. Ora essa! isso é tão humano também. Mas, durante 24 horas do dia, mesmo dormindo, existem pessoas trabalhando em nosso benefício, bem como possivelmente, devemos nos acautelar, pois existem lobos ferozez e famintos à solta. Mas, voltando a Boundin. Ele está no pior momento de sua existência e não sabe o que fazer ou o que pensar, como reagir. Ele sabe que terá que fazer algo, terá que pensar em algo. E até que sua lã cresça novamente levará algum tempo, mas o risco de perdê-la sempre vai existir.
Até que surge um "lebrílope" (animal metade coelho, metade antílope, no caso, um veado). Este último, o veado, possui símbolos antagônicos em diferentes culturas, enquanto no Brasil, por exemplo, ele é símbolo de afeminação e homossexualidade, nos Estados Unidos, ele simboliza a própria virilidade. Em algumas religiões antigas, os deuses da fertililidade e virilidade adotavam o veado como símbolo. Então, tudo bem, a animação foi feita por americanos. Já o coelho é símbolo de procriação, de fertilidade também.
Mas, o que intriga é que este lebrílope (jackalope) se aproxima do cordeiro e procura saber qual a razão de sua tristeza. Este lhe conta sua história e lamenta sua perda, por estar "ridículo, rosa e com frio". Neste instante, os olhos do lebrílope ficam cor-de-rosa e ele diz: "Rosa? \A vida não teria graça se não fosse o rosa\ A pele tanto faz\ se é branca, rosa, preta ou lilás(...) Escute o que eu acho\Seu corpo é saudável dos pés à cabeça\ Agradeça a sua sorte e a tristeza esqueça". Claro, que o rosa é uma cor belíssima!! Neste instante tenho até medo de estar contaminado pelo sexismo que impera na mentalidade do brasileiro, que é a que mais conheço, por isto, me sinto mais habilitado a falar. O rosa (no caso da animação, o pink) é mundialmente relacionado com preferências do público gay. Atualmente, ela está na moda na indumentária masculina, contudo, se usada discretamente, sem exageros. Feitas estas considerações, é possível uma leitura pró-homossexualidade na animação, no entanto, mesmo que essa proposta exista, não tira o brilho de sua mensagem, se ela for universalizada em algo maior. Pois a solução que o lebrílope dá é que o cordeiro aprenda a pular: "DÁ PRA CHEGAR BEM PERTO DO CÉU\ SÓ PRECISA TENTAR IR PULANDO AO LÉU". Deste modo, o cordeiro aceita o desafio e começa a dar saltos bem tímidos, até que ele está realmente tocando o céu, não o celeste, e sim uma posição de leveza a que ele ainda não havia pensado em chegar, significando a recuperação de sua auto-estima. Está saindo do chão em que se isolava e se escondia e agora possuía novos horizontes pra serem vistos. O que simbolizava sua alegria, de repente, foi encarado como um momento de relativo aprisionamento. E, para completo espanto, na verdade, aquela ainda não era sua grande alegria. Foi no pior momento de sua vida que ele aprendeu a dar saltos maiores. Isto também pode representar uma revisão dos valores que estão em nosso coração. Há coisas e pessoas em que depositamos tamanha, digamos, "adoração", que nos impede de ver que esta fascinação pode se tornar um peso também, pois impede o movimento da visão de vida em coisas melhores, novas possibilidades. A mensagem de Boundin também é de esperança.
Levando para outra esfera, quantas vezes não estamos nos lamentando de incidentes e faltas no dia a dia, nos entristecemos, decaímos de nossa firmeza, nos decepcionamos, nos sentimos em estado de vergonha até e isto não é necessário que seja diante das pessoas, é diante de nós mesmos. E pode ser esta a nossa oportunidade de darmos um salto maior, um salto qualitativo. Reagimos de um modo selvagem, brusco por conta de algum insucesso, fracasso ou com alguém que nos trai cruelmente, seja no trabalho, no lar, no relacionamento afetivo, mas é possível dar aquele salto. Um salto que alcance o céu.
Comece a saltar hoje. Acredite na mudança. Tenha esperança. Não tem coisa mais linda do que a vida, apesar das pessoas más e sem coração que insistem em praticar bobagens, em acabar com a vida e a paz dos outros. Mas, isto não é culpa da vida.
"DÁ PRA CHEGAR BEM PERTO DO CÉU\ SÓ PRECISA TENTAR IR PULANDO AO LÉU"

Monólogo

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Tenho medo, medo de voltar e não te ver. Medo de te ver, mas não ser visto. Pior ainda: não ser sequer notado. Medo... Me bate um desespero. Um desespero calado e angustiado de não poder dizer nada, porque nunca houve nada, apenas olhares fugitivos. E não dá pra fugir do sentimento sem perda de identidade. Medo, estou com medo. Medo de nunca mais te ver e saber que te amo loucamente. Ou pior ainda, que inventei este sentir e ainda nada senti por ninguém, recaindo em ti minha expectação, minha invenção. Tenho medo de voltar e saber que nunca estive lá. Talvez, eu ainda não tenha nascido e ainda não possa saber o que é existir e o que penso seja só imitação. Mas, e o que sinto? Certo é que sinto algo, mesmo que seja incerto. Inseguro...talvez, esta insegurança seja só uma armadilha, parte de um show que se quer esconder, que eu quero esconder, ainda que seja possível apenas aparentemente. E não mostrar, de jeito algum. O show de esconder, show de inventar. Imaginar, para aproximar o viver do sentir, o ser do existir. Para afastar-me de uma temida monotonia.
Voltar. Pra onde mesmo? Onde foi que eu comecei? Tenho eu que caminhar de trás pra frente e refazer o percurso, refletindo sobre cada passo dado? E me pergunto sobre o que fiz com minhas pernas, principalmente as da alma.
Tenho medo de ser feliz de um modo que todos digam ser impossível. Na verdade (em alguma verdade), acho que esse medo também não existe. Seja só mais um modo de me fazer menos diferente. Se é que sou diferente.
Há situações em que nos damos ao direito de agir e reagir igual aos demais e nisto podemos não ser nós mesmos. Deste modo, representamos a extensão dos outros, e estes nada mais são do que o mesmo outro ser histórico que se formou com o tempo na sociedade.
O outro do qual poucos se atrevem a fugir, refletir, debater. O outro tão somente igual, tão normal.
Liberto pela normalidade, escravo da normalidade.
 

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